Dilma Rousseff: A eleição direta pode salvar o Brasil
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"O medo não tem a sua própria política", disse o presidente brasileiro e acrescentou: "um acidente vascular cerebral pode ocorrer dentro de outro golpe" para invisibilizar Lula da Silva.
(last modified 2018-08-22T11:01:39+00:00 )
Dez. 24, 2016 18:04 UTC
  • Dilma Rousseff: A eleição direta pode salvar o Brasil

"O medo não tem a sua própria política", disse o presidente brasileiro e acrescentou: "um acidente vascular cerebral pode ocorrer dentro de outro golpe" para invisibilizar Lula da Silva.

"O Brasil só vai recuperar se ocorre uma eleição direta que cria um novo pacto para o país", disse na sexta-feira a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, em uma entrevista exclusiva com a Telesur.

Rousseff assegurou que o Brasil é um país "dividido, confuso e chocado porque a liderança do governo está envolvida nos processos de corrupção investigados pela Lava Jato", e acrescentou: "Há uma crise entre o legislativo e o judiciário".

Fora da democracia não há solução. A democracia é o lado certado da história. Rousseff disse ainda: "Temer não tem a sua própria política" e acrescentou que o presidente interino apoia a política do Partido Social Brasileira Democracia (PSDB), um partido que é desmontado pelas investigações de “lava Jato”. "Temer era vice-presidente decorativo do PSDB durante o impeachment", afirmou o dignitário e acrescentou: "Aqueles que sustentam o Governo de Temer e golpe parlamentar foram aqueles que tinham sido derrotados em quatro eleições consecutivas.”.

A mandataria advertiu que "um golpe dentro de um golpe de Estado" poderia acontecer no próximo ano, porque Michel Temer pode ser removido e ocorrem as eleições indiretas feitas pelo Senado e Congresso. "Eles podem invisiblizar o ex-presidente Lula da Silva, porque existe uma lei que diz que, se uma pessoa é acusada em dois casos não pode governar."

A mídia no Brasil a tenta "desmontar a imagem, o caminho e as realizações do passado" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse Rousseff. "Grupos de notícias negativas tratam o Presidente Lula como um inimigo a ser destruído", mesmo quando as pesquisas mostram que a população identifica-o como o melhor candidato que pode ter.

Por outro lado, a presidente eleita brasileira criticou a intervenção do presidente da Argentina, Mauricio Macri, no seu impeachment politico acontecido contra a presidente no último 31 de agosto.

"Macri apoiou o impeachment politico e isso foi muito estranho, porque ele não participa em instituições brasileiras, essa é uma política externa ruim, apoiando um golpe em outro país", disse a presidente brasileira.

"O Brasil assumiu uma política externa de não atropelar qualquer país, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos. O Brasil teve uma política multilateral", disse Rousseff, acrescentando que a América Latina está adotando as políticas do neoliberalismo caracterizadas pela preponderância do relatório financeiro sobre a produção e do emprego.

A mandatória concluiu: "Nós perdemos isso, mas não podemos perder o futuro. Eu acho que o que está a ser implementado na América Latina é um regime que destrói as políticas sociais, mais que um retrocesso é algo incompatível com a democracia”.