Relatório denuncia trabalho escravo em plantações de café no Brasil
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Um relatório conjunto publicado ontem pela Catholic Relief Sevices (CRS, sigla em inglês), a agência internacional humanitária da comunidade católica dos Estados Unidos, e a organização Repórter Brasil denunciou situações de trabalho forçado, que qualificou de "escravidão", em 15 quintas produtoras de café no Brasil.
(last modified 2018-08-22T11:00:30+00:00 )
Abr. 14, 2016 08:37 UTC
  • Relatório denuncia trabalho escravo em plantações de café no Brasil

Um relatório conjunto publicado ontem pela Catholic Relief Sevices (CRS, sigla em inglês), a agência internacional humanitária da comunidade católica dos Estados Unidos, e a organização Repórter Brasil denunciou situações de trabalho forçado, que qualificou de "escravidão", em 15 quintas produtoras de café no Brasil.

A pesquisa baseou-se em entrevistas com os trabalhadores rurais, produtores, sindicalistas, fiscais e inspetores trabalhistas de 15 quintas de café que apareceram na "lista negra" por exploração de mão de obra escrava do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil em 2013.

As entrevistas descrevem trabalhadores agrícolas "submetidos a trabalhos forçados, trabalho extenuante, condições de trabalho degradantes e servidão por dívidas", o que o Governo brasileiro considera como "condições análogas à escravidão".

O relatório, no entanto, admite que o trabalho escravo no setor do café no Brasil "não é muito amplo", mas também considera que "provavelmente seja maior, já que muitos casos não são denunciados".

"Só pudemos documentar esses casos porque o Brasil tem leis trabalhistas progressivas, uma forte imposição da legislação e um profundo compromisso com a transparência. Não devemos punir o Brasil por tornar esta informação disponível; devemos agradecê-lo", disse o porta-voz da CRS, Michael Sheridan.

As condições descritas pelos inspetores num sítio incluem jornadas de trabalho de 11 horas, casas sem lavabos e contentores para o lixo, e água de cor amarelada, não apta para o consumo humano.

Os trabalhadores em cinco das quintas denunciadas foram vítimas de servidão por dívidas e não tinham permissão para sair das propriedades em que trabalhavam devido às despesas contraídas com alimentação, viagens, equipamentos e alojamento.

Os investigadores advertiram que "práticas similares" foram documentadas em outros países produtores de café.