Brasil subirá o tom contra críticos do “impeachment”
O novo chanceler do Brasil, José Serra, arremeteu contra os países que questionam a legitimidade do processo do 'impeachment' contra a suspensão da presidente do país Dilma Rousseff.
Serra afirmou, neste domingo que responderá severamente às críticas e “subirá o tom” para “combater as falsidades” dirigidas contra o processo que levou à suspensão da mandatária.
"Nossa tarefa é refutar as mentiras que se dizem sobre o congresso brasileiro; tudo o que está passando no plano político—a suspensão da presidente, o 'impeachment'— está estipulado na Constituição, e encontra-se dentro do permitido pela democracia", declarou ao canal de televisão rede Globo José Serra, que perdeu as eleições contra o ex-presidente Lula da Silva em 2002 e contra Rousseff em 2010.
Advertiu, assim mesmo, de que "quanto maior seja a falsidade, mais forte será o tom, quando menor, menos forte".
Estas declarações são uma reação às críticas dos governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador, entre outros países latino-americanos, ao processo contra Rousseff, que poderia levar a sua destituição definitiva. Alguns destes países têm considerado a medida como um “golpe de Estado” e têm manifestado seu apoio à presidente do Brasil.
Em resposta ao 'impeachment' contra Rousseff, Venezuela e El Salvador retiraram seus embaixadores do Brasil, Colômbia tem chamado a que se preserve a institucionalidade democrática no país, e Bolívia considera que "a suspensão de Rousseff é um golpe à democracia".
Aparte das críticas procedentes do estrangeiro, centenas de brasileiros manifestaram-se no domingo para exigir a volta de Rousseff e manifestar seu repudio ao presidente interino Michel Temer.
No dia 12 de maio, o Senado do Brasil aprovou por 55 votos contra 22 a abertura de um julgamento político contra a presidente Rousseff, pelo que deverá deixar seu cargo por um prazo máximo de 180 dias e será substituída por seu vice-presidente, Michel Temer, acusado pela mesma mandatária de ser o “chefe da conspiração” e cooperar com a oposição para dar um “golpe de Estado contra a democracia” no Brasil.
A agora a suspendida mandatária tem sido acusada pela oposição de #8220;manobras &irregulares para compensar” os resultados do Governo em 2014 e 2015. No entanto, ela tem questionado em diversas ocasiões a legalidade do julgamento político a seu contra.