Dilma diz que Michel Temer terá de se ajoelhar perante Eduardo Cunha
"Jamais eu deixaria que ele indicasse o meu ministro da Justiça. Jamais eu deixaria que ele indicasse todos os cargos jurídicos e assessores da subchefia da Casa Civil", disse Dilma Rousseff em entrevista à "Folha de S. Paulo".
Brasília - "Vão ter de se ajoelhar". É desta forma que Dilma Rousseff olha para o Governo de Michel Temer e para a sua relação com Eduardo Cunha. "Fazer acordo com Eduardo Cunha é se submeter à pauta dele. Não se trata de uma negociação tradicional de composição. E sim de negociação em que ele dá as cartas", acusou Dilma em entrevista à "Folha de S. Paulo".
"Jamais eu deixaria que ele indicasse o meu ministro da Justiça. Jamais eu deixaria que ele indicasse todos os cargos jurídicos e assessores da subchefia da Casa Civil, por onde passam todos os decretos e leis", declarou ainda Dilma Rousseff.
"Podem falar o que quiserem: o Eduardo Cunha é a pessoa central do governo Temer. Isso ficou claríssimo agora, com a indicação do André Moura [deputado ligado a Eduardo Cunha]. Cunha não só manda, ele é o governo Temer. E não há governo possível nos termos do Eduardo Cunha", comentou Dilma na entrevista à "Folha".
Na entrevista Dilma diz acreditar que ainda é possível reverter o processo de "impeachment", se conseguir o apoio de 30 senadores. "Sobretudo porque as razões do impeachment estão ficando cada vez mais claras. E elas não têm nada a ver com seis decretos ou com Plano Safra [medidas que foram consideradas crimes de responsabilidade]", afirmou.
Na mesma entrevista, conduzida pela colunista Mônica Bergamo, Dilma alertou para as consequências da política orçamental que o governo de Michel Temer quer implementar. Dilma aconselha Temer a recriar a CPMF (contribuição provisória sobre movimentos financeiros).
"Quem paga o pato, quando não se tem imposto num país, é a população. Vai ter corte na saúde. Já falaram em acabar com o Mais Médicos, já falaram que o SUS não cabe no orçamento. Depois voltaram atrás", apontou Dilma.