Brasil critica resolução da Unesco sobre Jerusalém
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O Brasil poderá rever o seu voto relativamente a decisão do Conselho Executivo da Unesco, tomada em abril último, sobre o patrimônio cultural nos Territórios Ocupados. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) critica o não reconhecimento expresso dos vínculos históricos do povo judeu com Jerusalém.
(last modified 2018-08-22T11:00:44+00:00 )
Jun. 10, 2016 10:57 UTC
  • Brasil critica resolução da Unesco sobre Jerusalém

O Brasil poderá rever o seu voto relativamente a decisão do Conselho Executivo da Unesco, tomada em abril último, sobre o patrimônio cultural nos Territórios Ocupados. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) critica o não reconhecimento expresso dos vínculos históricos do povo judeu com Jerusalém.

Brasília - O Brasil poderá rever o seu voto relativamente a decisão do Conselho Executivo da Unesco, tomada em abril último, sobre o patrimônio cultural nos Territórios Ocupados.

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) critica o não reconhecimento expresso dos vínculos históricos do povo judeu com Jerusalém, particularmente o Muro Ocidental.

De acordo com nota do Itamaraty, divulgada nesta quinta-feira (9), a 199ª Sessão do Conselho Executivo da UNESCO, encerrada no último dia 15 de abril, adotou, por 33 votos a favor, 6 contra, 17 abstenções e 2 ausências, decisão sobre o patrimônio cultural nos Territórios Ocupados. "O Brasil votou a favor da decisão, embora tenha buscado, ao longo das negociações, suavizar os termos da proposta original", segundo a nota.

"No entanto, o fato de que a decisão não faça referência expressa aos vínculos históricos do povo judeu com Jerusalém, particularmente o Muro Ocidental, santuário mais sagrado do judaísmo, é um erro, que torna o texto parcial e desequilibrado", analisa a diplomacia brasileira.

"O Governo brasileiro reitera seu pleno reconhecimento desses vínculos e sua posição a favor do livre acesso dos fiéis das três religiões, cristianismo, islamismo e judaísmo, aos lugares santos da Cidade Velha de Jerusalém, bem como seu apoio aos acordos vigentes entre Israel e Jordânia para sua administração", segundo a nota do Itamaraty.

Em conclusão, o novo governo brasileiro diz que "revisará seu voto caso as deficiências apontadas na referida decisão não sejam sanadas em futuro exame do tema pela UNESCO."

Recorda-se que o Conselho Executivo da Unesco, formado por 58 países, tinha anuncdo duas medidas sobre a Cidade Velha de Jerusalém, que abriga locais considerados sagrados para as três maiores religiões monoteístas: Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. A resolução aprovada pela Unesco reafirmava o significado religioso da Cidade Velha para essas religiões e expressa "preocupação profunda" com escavações arqueológicas feitas por Israel no local. O órgão pediu que Israel mantenha a integridade da rampa Mughrabi, que serve de acesso à Esplanada das Mesquitas, um dos locais mais sensíveis da Cidade Velha. A Unesco também decidiu declarar dois locais com importância religiosa como parte dos territórios palestinos: Al-Haram al-Ibrahim, em Hebron, e a mesquita Bilal bin Rabah, em Belém, mais conhecidos, respectivamente, como Tumba dos Patriarcas e Tumba de Raquel. Recentemente, Israel declarou os locais como "patrimônio nacional". Segundo analistas, a medida criou mal-estar com os palestinos, uma vez que os monumentos estão localizados na Cisjordânia.