O dialogo com EUA funcionou sempre com base na desconfiança: disse Zarif
O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, disse que um acordo multilateral entre o Irã e os países P5 + 1 em 2015 foi concebido com base na desconfiança da República Islâmica contra os Estados Unidos.
Falando na segunda-feira, Zarif reiterou as preocupações do líder da Revolução Islâmica, aiatolá Seyed Ali Khamenei, sobre a não-realização do acordo, conhecido como o Plano Integrado de Ação conjunta (JCPOA), e disse que o descumprimento dos compromissos desde inicio era previsível para o Irã.
Assim, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros afirmou que "os dois lados prosseguiram com base na desconfiança mútua e inventaram numerosos mecanismos [de contingência]".
O Irã e o grupo de países P5 + 1, nomeadamente os EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha, Chegaram ao acordo em julho de 2015.
O acordo entrou em vigor em janeiro de 2016, resolvendo uma longa disputa sobre o programa nuclear iraniano.
Segundo o acordo, o Irã concordou em colocar certos limites ao seu programa nuclear pacífico em troca do levantamento das sanções internacionais que foram impostas ao país sobre o programa.
Zarif disse que os mecanismos elaborados no acordo tornaram "muito mais fácil" para o Irã, se necessários, reverter à medida que tomou no âmbito do acordo do que para o outro lado a colocar as sanções de volta contra a República Islâmica.
"Se houver um momento em que os norte-americanos não realizarem o JCPOA, nossa reversibilidade seria amplamente mais rápida", disse Zarif, explicando que, em tal cenário, o Irã assumiria mais atividades nucleares do que antes de se comprometer com o JCPOA.
Ele disse que o Irã tinha "garantias suficientes", com base nos mecanismos, para retornar à era pré-JCPOA se o governo iraniano determinar um dia que o não desempenho americano estiver em um nível que justifique esse retorno.
Zarif afirma, no entanto, que acreditava que tal cenário seria improvável. Enquanto o Irã tem firmemente cumprido seus compromissos sob o JCPOA, os Estados Unidos tem sido menos rigorosamente obedecendo-o.
Washington ofereceu apenas garantias verbais às instituições internacionais de que não enfrentariam medidas punitivas dos EUA se restaurassem seus laços comerciais com Teerã nas circunstâncias previstas após a conclusão do acordo.
A escassez de garantias concretas fez com que alguns bancos europeus se recusassem a retomar as transações.
Em suas observações de segunda-feira, Zarif também disse que a execução do acordo, de alguma forma estava tomando mais esforço do que negociá-lo antes de 2015, enfatizando que todas as oportunidades que surgiram após o acordo tinham que ser apropriadamente aproveitadas.