Guarda costeira saudita mata pescador iraniano no Golfo Pérsico
Um pescador iraniano foi morto hoje por guardas costeiros sauditas, que acusaram a sua embarcação de ter entrado nas águas da Arábia Saudita, anunciou um responsável do Ministério do Interior do Irã num comunicado
Dois barcos de pesca que estavam a pescar no Golfo Pérsico foram desviados da sua rota pela ondulação: os guarda costeiros sauditas afirmaram que eles tinham entrado nas águas sauditas e mataram um dos pescadores", indica o comunicado de Majid Aghababaie, diretor das fronteiras no Ministério do Interior, divulgado pelos media.
"Mesmo que os barcos tivessem entrado nas águas sauditas, os guardas costeiros não estavam autorizados a disparar. Estamos a verificar se as embarcações tinham efetivamente entrado nas águas sauditas", adianta.
"Este movimento saudita não é compatível com os princípios humanos e, mesmo supondo que as embarcações tenham atravessado as fronteiras sauditas devido a ondas do mar, não estavam autorizadas a atirar nos barcos iranianos", disse o funcionário.
Aqhababaei observou que a República Islâmica está acompanhando a questão para determinar se os barcos entraram nas águas territoriais sauditas. "Este movimento dos sauditas foi incompatível com os princípios humanos e marítimos", reiterou.
As relações entre o Irã e a Arábia Saudita pioraram depois que um mortal incidente ocorreu durante os rituais do Hajj em Mina, perto de Meca, em setembro de 2015.
As autoridades da República Islâmica culparam a incompetência das autoridades sauditas pelo incidente, que, segundo o Irã, matou 4.700 pessoas, incluindo 465 de nacionais iranianos.
Mais cedo, no mesmo mês, um enorme guindaste de construção desabou na Grande Mesquita de Meca, matando mais de 100 peregrinos, incluindo 11 iranianos e ferindo mais de 200 outros, dentre eles 32 cidadãos iranianos.
Os laços mútuos se deterioraram ainda mais quando Riad executou o proeminente clérigo xiita saudita xeque Nimr al-Nimr em janeiro de 2016. A Arábia Saudita cortou unilateralmente seus laços diplomáticos com o Irã após protestos na frente de suas instalações diplomáticas nas cidades de Teerã e Mashhad contra a execução de Nimr.