Irão acusa Riad de falsificar "realidade" no caso do míssil dos rebeldes
O Irã considerou hoje "contrárias à realidade" as afirmações do príncipe herdeiro da Arábia Saudita que acusou Teerã de "agressão militar direta" após um tiro de míssil dos rebeldes do Iémen sobre o território saudita.
Numa conversa telefónica com o seu homólogo britânico, Boris Johnson, o chefe da diplomacia iraniana, Mohammad Javad Zarif, "afirmou que as alegações dos responsáveis sauditas eram contrárias à realidade e perigosas", declarou à agência France-Presse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Bahram Ghassemi.
Zarif também denunciou "as ações provocadoras do governo saudita na região", adiantou.
No sábado, um míssil disparado pelos rebeldes Huthis a partir do Iémen foi intercetado e destruído sobre o aeroporto internacional de Riad, segundo as autoridades sauditas.
A Arábia Saudita acusou o Irã de fornecer equipamentos militares aos rebeldes iemenitas e a coligação dirigida por Riad, que apoia o poder iemenita, disse na segunda-feira que se reservava o direito de responder ao Irã "de modo apropriado e no momento oportuno".
A posição de Riad é apoiada por Washington, cuja embaixadora na ONU, Nikki Haley, declarou hoje num comunicado que "o regime iraniano confirma uma vez mais o seu completo desrespeito pelas suas obrigações internacionais".
"Os Estados Unidos estão empenhados em fazer tudo o que for possível para se oporem às ações desestabilizadoras do Irã e não fecharão os olhos face às violações graves do direito internacional pelos iranianos", adiantou a embaixadora.
Os rebeldes Huthis, que dizem ter produzido localmente os seus mísseis balísticos, ameaçaram hoje atingir os portos, aeroportos, postos fronteiriços e instalações vitais da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos em resposta ao reforço do bloqueio imposto ao Iémen na sequência do tiro do míssil no sábado.
A guerra no Iémen, iniciada em 2015, já causou mais de 8.650 mortos e cerca de 58.600 feridos, tendo provocado "a pior crise humanitária no mundo", segundo a ONU.