Programa balístico do Irã "não diz respeito" à França
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Um alto responsável iraniano disse hoje que o programa balístico do Irão "não diz respeito" ao Presidente francês, Emmanuel Macron, que tinha pedido ao país para "clarificar" a sua política de armamento "que parece descontrolada".
(last modified 2018-08-22T15:33:03+00:00 )
Nov. 18, 2017 11:57 UTC
  • Programa balístico do Irã

Um alto responsável iraniano disse hoje que o programa balístico do Irão "não diz respeito" ao Presidente francês, Emmanuel Macron, que tinha pedido ao país para "clarificar" a sua política de armamento "que parece descontrolada".

"Sobre as questões de defesa e do programa balístico, nós não pedimos autorização a ninguém. (...) Em que é que isso interessa a Macron? Quem é ele para interferir nestes assuntos", questionou na televisão estatal Ali Akbar Velayati, conselheiro para assuntos internacionais do guia supremo aiatolá Ali Khamenei.

Ali Akbar Velayati acrescentou que se Macron "quer que as relações entre o Irã e a França se desenvolvam, deve tentar não interferir nesses assuntos, porque isso vai contra os interesses nacionais". "É evidente que a nossa resposta é negativa" aos pedidos da França de negociações sobre o programa de mísseis balísticos.

Já na sexta-feira, o Irã tinha criticado a França depois das declarações a partir de Riad do chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, que acusava Teerã de "tentações hegemónicas" no Médio Oriente. O porta-voz da chancelaria iraniana afirmou então que "a parcialidade" da França agravava as crises regionais.

Velayati adverte Emmanuel Macron que a França não é se pode comentar o programa de mísseis iranianos. "Intrusão no programa de mísseis do Irã e questões estratégicas não é bom para (o presidente da França, Emmanuel) Macron", disse o assessor do líder iraniano.

"Nenhum país independente cede os seus interesses nacionais", ressaltou o alto funcionário persa, enfatizando que Teerã não pedirá a permissão de ninguém para desenvolver seus programas de defesa. Neste contexto, ele explicou que o programa de mísseis, bem como a quantidade e alcance destes, são questões exclusivamente internas do Irã e nenhuma parte estrangeira tem o direito de intervir a este respeito.

No final de suas declarações, Velayati pediu ao chefe de Estado francês que tomasse uma posição independente em relação ao Irã e deixasse de permitir que outros o influenciassem. No mesmo dia da sexta-feira e no âmbito da cúpula social dos líderes da União Europeia (UE) em Gotemburgo (Suécia), o presidente da França rejeitou a estratégia regional do Irã e solicitou esclarecimentos sobre o programa de mísseis.

Em inúmeras vezes, as autoridades políticas e defensivas do Irã deixaram claro que negociar seu programa de mísseis "não tem sentido, pois é um elemento necessário de sua defesa". Líderes iranianos também indicaram que o programa balístico do país baseia-se em tecnologias domésticas, pelo que os embargos dos EUA não podem evitar o seu desenvolvimento.