"Riad gera tensão no Bahrein para se poupar da condenação internacional"
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O rei do regime Bahrein, Hamad bin Isa al-Khalifa (esquerda) e o rei saudita Salman bin Abdelaziz Al Saud.
A Arábia Saudita está utilizando dos recentes acontecimentos no Bahrain para se poupar da onda de condenações internacionais que enfrenta por motivo de matança de milhares de civis iemenitas, diz um político iraniano.
Conselheiro político do gabinete presidencial do Irã, Hamid Abutalebi, criticou a decisão da monarquia Al Khalifa a revogar a cidadania do proeminente clérigo xiita, xeque Ahmad Isa Qasem, e garante que a medida é um "erro" da Riad.
“Os acontecimentos atuais em Bahrain é uma farsa do irmão mais velho árabe (Arábia Saudita) para se poupar da condenação internacional e assim do atoleiro da matança e derramamento de sangue que tem criado na região. Mais uma vez os governantes do Bahrein têm sido enganados", disse o Hamid Abutalebi, conselheiro político do gabinete presidencial do Irã na sua conta no Twitter, em uma alusão a Riad que enfrenta as criticas internacionais por liderar uma companha de bombardeios no território iemenita.
Para a autoridade iraniana, a decisão de Manama de retirar a nacionalidade do clérigo xiita, é uma trama que se entende por algumas partes como incitar a violência e minar as relações dos países da região, em que unicamente favorecerá o "patrocinador de Daesh”, ou seja, o reino saudita.
Tem chamado a "estar atentos a tentativas de desestabilização da região (Oriente Médio) e preparar o caminho para a intervenção estrangeira", Abutalebi assegurou que as vias pacíficas e não violentos podem resolver a crise na pequena monarquia do Golfo Pérsico.
Bahrein decidiu revogar a nacionalidade a xeque Qasem, na segunda feira depois de acusá-lo de "espalhar o extremismo".
O Ministério do Interior do Bahrein, em um comunicado, acusou o clérigo xiita de ter "prejudicado" os interesses da monarquia, e não ter cumprido o seu dever de ser leal ao sistema. Ainda alega que xeque Qasem tem "abusado" da sua posição religiosa para "promover uma agenda política", que servia os interesses dos estrangeiros.
O Regime de Al Khalifa também suspendeu todas as atividades do principal partido da oposição, Al-Wefaq, e mesmo considerou a fotografia como um ato terrorista, o que poderia complicar a situação no país submerso desde 2011 em um caos sócio-político.