Brasil pode dispensar dólar para aquecer comércio com Irã, diz ministro
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Objetivo é triplicar comércio com o Irã, afirmou Armando Monteiro Neto. Dilma, de acordo com o ministro, deve ir ainda este ano ao Irã .
(last modified 2018-08-22T11:00:14+00:00 )
Fev. 17, 2016 05:22 UTC
  • Armando Monteiro Neto,O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)
    Armando Monteiro Neto,O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)

Objetivo é triplicar comércio com o Irã, afirmou Armando Monteiro Neto. Dilma, de acordo com o ministro, deve ir ainda este ano ao Irã .

O Brasil fará uma ofensiva para triplicar o comércio com o Irã nos próximos três anos, especialmente na área de alimentos, proteínas e transportes, e considera aceitar o uso de outras moedas nas transações em vez do dólar, como o euro, para evitar barreiras financeiras, disse nesta terça-feira (16) o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Em entrevista à Reuters, Armando Monteiro Neto afirmou que a meta é elevar a corrente de comércio de US$ 1,7 bilhão de 2015 a pelo menos US$ 5 bilhões nos próximos três anos, e o Brasil está disposto a atender ao pedido iraniano de usar o euro nas transações.

“Eu acho que temos caminhos para poder trabalhar bem essa questão de como pagar, que tipo de modalidade, que moeda. Temos um comitê para cuidar especificamente desses temas financeiros. Estamos flexíveis”, afirmou o ministro.

Desde que as sanções contra o país começaram a ser levantadas, o Irã passou a informar seus parceiros comerciais de que prefere receber e fazer pagamentos em euro para evitar barreiras ainda mantidas pelos Estados Unidos.

Monteiro revelou que, antes de viajar ao Irã em outubro, com uma comitiva de 30 empresários brasileiros, consultou o Banco Central sobre o tema e levou também representantes do Banco do Brasil para analisar a situação. Segundo o ministro, basta um pouco de “boa vontade” para resolver a questão.

Em meio a uma crise econômica que reduziu drasticamente o mercado interno, o governo brasileiro tem apostado nas exportações para tentar reativar a economia, e o Irã, de volta ao mercado internacional, é uma das principais apostas. Na semana passada, o governo brasileiro levantou as sanções impostas internacionalmente, e a presidente Dilma Rousseff recebeu o embaixador do país para uma conversa.

Dilma, de acordo com Monteiro, deve ir ainda este ano ao Irã para aumentar a pressão brasileira por uma posição de destaque no comércio com o país.

Alimentos, proteínas e veículos estão entre as principais áreas de interesse dos iranianos no Brasil. Há conversas para exportações de carros para táxi e ônibus, além de contatos para venda de aeronaves da Embraer para linhas de aviação regional.

“Por enquanto a ideia é renovar a frota. É preciso uma adaptação do sistema porque o Irã usa gás combustível. Vamos começar a tratar com empresas brasileiras para ver como ajustar e depois ver que tipo de parceria poderá ser feita”, disse o ministro sobre a venda de veículos.

Sobre a Embraer, confirmou que já há contatos sendo feitos. “Tem uma perspectiva de negócios interessante na aviação regional. O Irã é um país extenso e essa coisa de aviação regional tem um potencial muito grande”, afirmou.

Monteiro confirmou ainda que foram identificadas áreas potenciais de exportações em maquinário para indústria, equipamentos médico-hospitalar, farmacêutica e máquinas e equipamentos. Do outro lado, informou o ministro, o governo brasileiro estuda a importação de gás liquefeito.