Principais cidades da Síria respeitam o cessar-fogo
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As principais cidades da Síria acordaram neste sábado (27) sem o som das bombas depois da entrada em vigor do cessar-fogo entre o regime e os rebeldes, informaram o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) e vários militantes.
(last modified 2018-08-22T11:00:17+00:00 )
Fev. 27, 2016 09:49 UTC
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As principais cidades da Síria acordaram neste sábado (27) sem o som das bombas depois da entrada em vigor do cessar-fogo entre o regime e os rebeldes, informaram o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) e vários militantes.

A aviação russa anunciou neste sábado a suspensão por um dia de todas as missões de seus aparelhos no país para apoiar o cessar das hostilidades, segundo declarou Serguei Rudskoi, representante do Estado-Maior das forças armadas russas.

Por outro lado, um carro-bomba explodiu na manhã deste sábado na entrada de Salamiya, na província de Hama, causando duas mortes, segundo a agência oficial Sana. Segundo o OSDH, as vítimas foram dois soldados, mas não falou de uma quebra da trégua.

O esperado cessar-fogo em vigor à 0h local deste sábado (19h de sexta-feira em Brasília), após um acordo fechado entre Rússia e Estados Unidos com o apoio das Nações Unidas.

Exatamente no primeiro minuto de sábado, as armas silenciaram nos subúrbios de Damasco e na cidade de Aleppo, no norte do país, observou a AFP.

A população saiu às ruas para aproveitar o momento excepcional de calma.

Segundo o OSDH, a calma reinava nas províncias de Homs (centro), Damasco e na região de Aleppo (norte). Em todas elas há rebeldes e tropas do regime.

De acordo ainda com o OSDH, ocorreram apenas confrontos esporádicos entre as forças do regime e os jihadistas do grupo Estado Islâmico e da Frente Al-Nosra.

Os jihadistas também enfrentaram os curdos na província de Raqa (norte).

O mediador das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, informou que há uma investigação aberta sobre um "incidente" ocorrido logo após a entrada em vigor do cessar-fogo, e avaliou que, inevitavelmente, ocorrerão "incidentes".

A trégua, apoiada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, é a primeira deste tipo em cinco anos de guerra, que já deixou 270 mil mortos.

O cessar-fogo não envolve os grupos jihadistas Estado Islâmico (EI) e Frente Al-Nosra, braço sírio da Al-Qaeda, que controlam importantes zonas do território sírio.

De Mistura anunciou sua intenção de convocar para 7 de março uma nova rodada de negociações de paz.

"Sob a condição de que se respeite a suspensão das hostilidades, se Deus quiser e diante da manutenção da entrega da ajuda humanitária, tenho a intenção de voltar a convocar (...) negociações sobre a Síria na segunda-feira, dia 7 de março", declarou Mistura ao Conselho de Segurança.

As conversações precedentes, realizadas em Genebra, foram suspensas no começo de fevereiro.

Imediatamente após a declaração de Mistura, o Conselho de Segurança adotou - por unanimidade - uma resolução que endossa o cessar-fogo e "exige a suspensão das hostilidades.

O Conselho exortou "todas as partes a respeitar a suspensão das hostilidades" e pediu aos membros do grupo de apoio internacional à Síria "que usem sua influência sobre as partes envolvidas visando garantir o respeito de seus compromissos" e favorecer a aplicação de uma trégua "durável".

A resolução pede, mais uma vez, um acesso humanitário "livre, seguro e rápido" na Síria, em particular para os 4,6 milhões de sírios que se encontram bloqueados em zonas assediadas ou de difícil acesso.