Israel suspende cooperação com UNESCO por causa de 'terrorismo'
Israel acaba de suspender sua cooperação com a UNESCO, órgão das Nações Unidas que responde pela proteção da cultura mundial.
Esta reação vem em resposta à decisão da UNESCO de deixar de reconhecer o vínculo entre a religião judaica e o Monte do Templo.
A indignação foi geral em Israel, cujos políticos já acusaram o braço cultural da ONU de "antissemitismo".Um deles é o ministro da Educação, Naftali Bennett. Foi ele o autor da suspensão das relações.
"Essa decisão nega a história e impulsiona o terrorismo. As pessoas que dão prêmios àqueles que apoiam a jihad em Jerusalém, na mesma semana que dois judeus foram assassinados, fomentam mais vítimas", ressaltou Bennett em uma carta.Prosseguindo, ele comparou a situação em torno do Monte do Templo à situação em Aleppo, na Síria, chamando a decisão da ONU de "terrorismo diplomático em Jerusalém". Por sua parte, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu disse que "o teatro do absurdo continua na ONU". "O que vai acontecer depois? Uma decisão da UNESCO que negará ligação entre manteiga de amendoim e gelatina? Entre Batman e Robin? Entre Rock e Roll?", disse ele no seu Twitter.
A decisão da ONU foi aprovada na quinta-feira (13) por 24 votos a favor, seis contra e 26 abstenções. Os opositores foram os EUA, o Reino Unido, a Lituânia, a Holanda, a Alemanha e a Estônia.O Monte do Templo, chamado também de Esplanada das Mesquitas, é considerado por Israel como seu lugar mais sagrado, por lá se ter situado o Templo de Salomão, cujos edifícios já não existem. O que resta do templo é o Muro das Lamentações, que se encontra dentro da parte judaica da cidade de Jerusalém e é um lugar de adorações e orações regulares. Já no que toca às mesquitas, o Monte do Templo (ou a Esplanada) tem duas: a mesquita da Cúpula da Rocha e a mesquita de Al-Aqsa. Estas mesquitas fazem da Esplanada o terceiro lugar mais sagrado para os muçulmanos.
Por outro lado, Irina Bokova a Diretor-Geral da UNESCO em reação à adoção pelo comité executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) de uma resolução, apresentada pela Palestina, na qual se ignora a tradição judaica de alguns locais de Jerusalém, disse: Negar, ocultar ou querer apagar as tradições judaica, cristã ou muçulmana põe em perigo a integridade do lugar".
Bokova manifestou assim o seu desacordo, sem a nomear, relativamente à resolução adotada na quinta-feira por 24 votos a favor, essencialmente do mundo árabe, e seis contra, além da abstenção de 26 países.
Bokova criticou que, na resolução aprovada pela comité executivo, apenas seja usada a denominação árabe e garantiu que "o reconhecimento, o uso e o respeito" dos diferentes nomes "são essenciais".
A diretora-geral da UNESCO sublinhou que o complexo de Al-Aqsa "também é o Monte do Templo, cujo Muro Ocidental é o lugar mais sagrado do judaísmo, a poucos metros do Santo Sepulcro e do Monte das Oliveiras, venerados pelos cristãos".
"O valor excecional universal da cidade, que valeu a inscrição na lista do património mundial da UNESCO, apoia-se nesta síntese, que é um chamamento ao diálogo, não à confrontação", indicou Bokova.
A responsável sublinhou que a UNESCO deve "fortalecer esta coexistência cultural e religiosa com atos e palavras".
Irina Bokova comprometeu-se a trabalhar para restabelecer a concórdia na sua organização porque - disse - "quando imperam as divisões não pode exercer a sua missão de diálogo e procura da paz".