Forças governamentais capturam 14 povoações aos rebeldes na Síria
As forças governamentais sírias capturaram hoje 14 povoações no decurso do seu avanço num dos maiores enclaves controlado pelos rebeldes no norte do país, e na sequência de uma vaga de ataques aéreos na região.
O exército sírio e aliados desencadearam no final de outubro uma ofensiva nas províncias de Hama e Idlib, passando a controlar cerca de 100 localidades que estavam em poder dos grupos insurrectos, incluindo o Hay'at Tahrir al-Sham (Comité de libertação do Levante), uma aliança formada em torno da ex-filial síria da Al-Qaida. A ofensiva foi intensificada no dia de Natal, após a chegada de reforços provenientes de outras regiões da Síria.
O principal objetivo destas tropas consiste no controlo da base aérea de Abu Zuhour, na posse dos rebeldes, e proteger a estrada que liga a capital Damasco à cidade de Alepo (norte). Os rebeldes capturaram Abu Zuhour em 2015 após um cerco de três anos.
O centro de informações militares (SCMM) controlado por Damasco e o Observatório sírio de direitos humanos (OSDH), com sede em Londres, confirmaram a captura destas 14 localidades, e que ocorreu nas últimas horas.
A ofensiva na zona sul da província de Idlib foi acompanhada por intensos raides' aéreos e bombardeamentos que provocaram 21 mortos desde domingo, segundo o Observatório.
Foram ainda registados confrontos perto de Harasta, um subúrbio de Damasco, após forças governamentais se terem juntado às tropas de na base militar de Murakabat cercada há mais de uma semana por grupos insurgentes nos subúrbios a leste de Guta. O ODSH disse que 159 rebeldes e soldados das forças de Damasco foram mortos nestes combates desde 29 de dezembro.
Em paralelo, na cidade de Idlib (noroeste), responsáveis paramédicos referiram que o ataque com carro armadilhado na noite de domingo provoocu pelo menos 25 mortos. Perto de 100 pessoas ficaram feridas. A Defesa civil síria (os 'capacetes brancos') referiu que quatro crianças e 11 mulheres estão entre as vítimas.
Hoje, o Observatório revelou que 27 civis foram mortos neste ataque, incluindo 14 crianças, para além de pelo menos 15 combatentes da rebelião.
De acordo com ativistas, o atentado bombista de domingo atingiu as instalações do Ajnad al-Koukaz, um grupo militante que integra combatentes estrangeiros, na maioria provenientes do Cáucaso e da Rússia.
A província de Iblid, e a sua capital com o mesmo nome, tem permanecido sob controlo de diversas fações insurgentes, incluindo o grupo com ligações à Al-Qaida, que combatem as forças governamentais do Presidente sírio Bashar al-Assad.
O conflito na Síria, iniciado em 2011, complicou-se com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos 'jihadistas', num território cada vez mais partilhado. Provocou 340.000 mortos e milhões de refugiados e deslocados.