Iêmen, um choque de interesses entre a Al Qaeda e Daesh
https://parstoday.ir/pt/news/middle_east-i4303-iêmen_um_choque_de_interesses_entre_a_al_qaeda_e_daesh
Atualmente, o povo iemenita sofre não somente do vazio de poder e a invasão da Arábia Saudita, como também, há outros fatores muito importante que ameaça a sua vida constantemente; que é o crescimento do extremismo no seu território e discrepâncias entre a Al Qaeda e Daesh.
(last modified 2018-08-22T11:00:36+00:00 )
May 06, 2016 22:06 UTC
  • Iêmen, um choque de interesses entre a Al Qaeda e Daesh

Atualmente, o povo iemenita sofre não somente do vazio de poder e a invasão da Arábia Saudita, como também, há outros fatores muito importante que ameaça a sua vida constantemente; que é o crescimento do extremismo no seu território e discrepâncias entre a Al Qaeda e Daesh.

Durante décadas, o Iêmen era a força principal e local de nascimento de terroristas da Al-Qaeda, no entanto, esse grupo era quase irrelevante no país árabe, e só se dedicava a fornecer conselhos a outros grupos ativos em outros países como o Afeganistão e Paquistão. Após a invasão saudita ao Iêmen, foram criadas as condições para que os extremistas pudessem expandir seus movimentos neste país.

Mesmo a guerra contribuiu à expansão de Daesh.

Transcorrendo já mais de um ano da invasão ao Iêmen, agora, ambos os grupos estão competindo por tomar o poder em áreas importantes do país, especialmente no sul. No artigo seguinte, vamos rever a situação no Iêmen, os motivos de seu ressurgimento e o fortalecimento dos extremistas e as ameaças que representam para o país árabe.

Al Qaeda, com sua capital Al Mukalla.

A situação geopolítica e geoestratégica do Iêmen é de extrema importância para os extremistas da Al Qaeda. O país fica no coração do mundo islâmico e tem imensos recursos naturais, bem como estar perto dos lugares sagrados e importantes de muçulmanos, ou seja, a cidade santa de Meca e Medina na Arábia Saudita. Estes são fatores muito importantes para salafistas, por que eles consideram o Iêmen como o berço do que chamam de "califado islâmico". Assim, o Iêmen tem sido sempre reconhecido como um centro de recrutamento de grupos salafistas e da Al Qaeda. Refira-se que os extremistas salafistas, depois de sua operação no Afeganistão contra a União Soviética, retornaram ao Iraque e se estabeleceram nas províncias de Al Mukalla (sudeste), Shabu, Abyan e Hadarmut.

Neste contexto, deve-se notar que por caos no Iraque, os terroristas da Al Qaeda estabeleceram um pequeno império na província portuária de Al Mukalla, onde têm retirado cerca de 100 milhões de dólares dos roubos em bancos e impostos que cobram aos comerciantes. Eles ganharam 1,4 milhões de dólares da companhia nacional de petróleo do Iêmen. Se considerarmos Reqa como a base principal da Daesh na Síria, Al Mukalla é a capital da Al Qaeda.

Seu ressurgimento é a consequência não intencional mais marcante da intervenção militar liderada por Arábia Saudita em apoio ao Iêmen, que luta contra o movimento de Ansarollah iemenita. A campanha, apoiada pelos Estados Unidos, tem ajudado a Al Qaeda na Península Arábica (AQAP) a viver o momento mais forte desde que apareceu há quase 20 anos.

Daesh VS. al Qaeda

Além de Al Qaeda, Daesh não tem poupado esforços para aumentar a sua influência no Iêmen, mesmo no início de 2015 e em abril do mesmo ano foi lançado um vídeo em que ele içou sua bandeira na capital iemenita Sanaa. De momento, este grupo terrorista está muito ativo no centro, sul e leste do país árabe se esforçam por ganhar o controle da maior parte da província de Shabu e quer estabelecer a sua sede no sul do Iêmen.

Em relação ao aumento da influência dos extremistas de Daesh no Iêmen há uma variedade de razões, mas os principais são o caos e instabilidade devido à guerra civil e da invasão da Arábia Saudita, que provoca o sofrimento dos iemenitas. Na verdade, graças a este vácuo de poder e insegurança, Daesh tem sido capaz de reforçar as suas bases em Aden, Hadarmut e Shabu.

A segunda razão é a capacidade de Daesh de recrutar forças para realizar operações terroristas e bombardeios. Os extremistas, mediante suas instituições, especialmente o centro de "Iman", estão ganhando terreno contra rivais de Al Qaeda em temos de recrutamento e entrada dos jovens em suas fileiras.

A terceira razão reside na fraqueza do Daesh no Iraque e na Síria. Desde agosto de 2015, os takfiríes perderam entre 15 e 30 por cento das áreas controladas nestes dois países, por isso, para deter a sua queda e eliminação, se estão trabalhando duro para encontrar novos lugares de onde avançam em seus objetivos, entre eles estão o Norte de África, como a Líbia e Tunísia e outros países do Oriente Médio.

Nessa situação, se podem adicionar outros fatores que contribuíram a presença de Daesh no Iêmen, ou seja, o acesso de terroristas a armas avançadas, grandes recursos financeiros obtidos por saque dos bancos e os bens dos comerciantes, bem como acompanhamento das famosas figuras religiosas iemenita.

Consequências de domínio do extremismo no Iêmen

No entanto, a crescente influência de Daesh no Iêmen tem consequências graves para o país mais pobre do mundo árabe. O principal desafio para a administração que governa no país é a segurança, uma vez que devido à inimizade entre os dois grupos terroristas, a Al Qaeda e Daesh, a situação poderia ser ainda mais complicada se um não tolera a presença do outro em áreas sob o seu controle.

A tal ponto que, quando Al Qaeda estava ganhando terreno com o caos no país, Daesh divulgou um vídeo acusando-o de reconciliação com o governo central e disse que iria frear o seu progresso no país. Mesmo que assumiu o controle de uma importante base de Al Qaeda no sul.

Estes acontecimentos levaram uma grande operação da Al Qaeda na região central e sul.

A outra consequência seria a intervenção norte-americana naquele país. Se a situação continuar desta forma, Washington poderia justificar sua interferência no Iêmen, sob o pretexto de combate ao extremismo e estabelecer bases militares. Materializar este plano, os EUA poderiam dominar o movimento popular de Ansarollah e do Estreito estratégico de Bab El Mandeb, o que prejudicaria não somente os interesses do povo do Iêmen, como os de outros países.

Portanto, devo dizer que a atual situação no Iêmen unicamente tem contribuído ao fortalecimento da Al Qaeda e Daesh. Uma situação que poderia até mesmo ser ainda mais catastrófico se estes vêm juntos, embora seja quase impossível, porque ninguém aceita a liderança de outro. Assim, para evitar um confronto entre os dois, que irá transformar o Iêmen em outra Líbia, é imperativo acabar com a situação interna instável e a invasão saudita.