Cruz Vermelha recusa demanda saudita de limitar sua missão no Iêmen
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) recusou uma petição da Arábia Saudita para que seu pessoal humanitário em Iêmen abandone as áreas controladas pelo movimento popular Ansarolá.
A missão do CICR "com frequência requer cruzar as primeiras linhas" e garantir o acesso às zonas de combate, disse na sexta-feira a AFP Rima Kamal, porta-voz da entidade internacional humanitária em Saná, capital iêmenita.
A servidora pública assegurou que as equipes da Cruz Vermelha passarão por todas as regiões no Iêmen para proporcionar assistência humanitária “a todos os nessessitados ”. "Não temos planos de modificar essa (missão), no momento, e seguimos comprometidos a operar em todas as regiões e a fazer todo o possível para chegar aos civis afetados", afirmou Kamal.
Com estas declarações Kamal respondeu a uma petição feita na quinta-feira pela Arábia Saudita para que o pessoal da Organização das Nações Unidas (ONU) e os demais grupos humanitários no Iêmen não cerquem às áreas controladas por Ansarolá, que luta junto ao Exército iêmenita contra a agressão liderada por Riad no empobrecido território iêmenita.
A ONU por sua vez, recusou a solicitação saudita e exigiu à monarquia árabe que cumpra com suas obrigações para permitir o acesso humanitário no Iêmen, onde mais de 10 meses de bombardeios aéreos liderados por Riad têm destroçado a maior parte do país, sobretudo as infra-estruturas e as zonas residenciais.
O subsecretario geral de Assuntos Humanitários da ONU, Stephen Ou'Brien, dirigiu-se ao embaixador saudita ante a ONU, Abdalá al-Moalimi, dizendo que as organizações humanitárias estão cumprindo com sua missão de salvar "vidas de acordo com os princípios reconhecidos internacionalmente e continuarão o fazendo".
No dia 26 de março, a Arábia Saudita começou uma ofensiva aérea contra o Iêmen sem o aval da ONU, mas com luz verde os EUA, em uma tentativa por restaurar no poder ao fugitivo expresidente Abdu Rabu Mansur Hadi, um fiel aliado de Riad.
As incursões aéreas do regime dos Al Saud em território yemeniano , que têm recebido duras críticas tanto a nível regional como internacional, têm deixado mais de 32.000 vítimas, entre mortos e feridos, em sua maioria civis, segundo as últimas estatísticas das Nações Unidas.
No mês passado, o Parlamento Europeu (PE) expressou sua grande preocupação pela deterioração da situação humanitária e a destruição das infra-estruturas yemenitas a raiz dos ataques aéreos da Arábia Saudita e seus aliados. O bloco regional realçou que mais do 80 % da população precisa urgente de ajuda humanitária como consequência da carência de alimentos, água potável e uma básica atenção médica.
A Organização de Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, por suas siglas em inglês) advertiu de que mais da metade dos habitantes de Iêmen, 14 milhões, 400 mil pessoas, enfrentam insegurança alimentar.