Governo turco suspende Convenção dos direitos humanos
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O Governo turco decretou hoje a suspensão da Convenção Europeia dos Direitos Humanos enquanto vigorar o estado de emergência, que começou hoje e deverá prolongar-se por 40 ou 45 dias, menos que os três meses inicialmente anunciados.
(last modified 2018-08-22T11:00:56+00:00 )
Jul. 21, 2016 09:09 UTC
  • Governo turco suspende Convenção dos direitos humanos

O Governo turco decretou hoje a suspensão da Convenção Europeia dos Direitos Humanos enquanto vigorar o estado de emergência, que começou hoje e deverá prolongar-se por 40 ou 45 dias, menos que os três meses inicialmente anunciados.

O vice-presidente do Governo, Numan Kurtulmus, explicou que a suspensão da Convenção "não será feita como em França", numa alusão às medidas tomadas nesse país após a declaração do estado de emergência na sequência dos atentados terroristas dos últimos meses.

Em declarações aos media em Ancara, Kurtulmus disse que o Governo tem por objetivo que o estado de emergência se prolongue por 40 ou 45 dias, e não pelos três meses anunciados na quarta-feira pelo Presidente Recep Tayyip Erdogan.

O chefe de Estado justificou a declaração do estado de emergência pela necessidade de "assegurar a democracia" e localizar os responsáveis pela intentona golpista do fim de semana.

Nesse sentido, Kurtulmus insistiu hoje que a declaração do estado de emergência não significa a aplicação da lei marcial e que os cidadãos não serão afetados.

"Não vão ser proibidos os direitos de reunião e manifestação. Não haverá recolher obrigatório nem qualquer retrocesso nos avanços democráticos", afirmou o vice-primeiro-ministro.

Kurtulmus prometeu que "o parlamento estará aberto e a funcionar".

O vice-presidente do Executivo voltou a acusar o clérigo islamita exilado nos Estados Unidos, Fethullah Gülen, de envolvimento na tentativa de golpe de Estado e disse que dirige uma "organização terrorista".

"O seu objetivo [dos golpistas] não era um golpe de Estado. Era matar o Presidente Erdogan e conduzir o país a uma guerra a longo prazo com a Síria", assegurou.

Numa referência ao pedido enviado aos Estados Unidos para a extradição de Gülen, Kurtulmus sugeriu a Washington que se coloque no lugar da Turquia.

"Como se sentiriam se um sacerdote tivesse tentado destruir os Estados Unidos e fosse para a Turquia viver numa mansão...", assinalou.