Primeiro discurso de Trump no Congresso dos EUA
O presidente Donald Trump fez o seu primeiro discurso ao Congresso com o objetivo de abordar uma série de questões controversas, incluindo a segurança nacional, reforma de saúde, aumento dos gastos com defesa e imigração.
Tarde na terça-feira, o presidente novo dos EUA dirigiu-se ao congresso no Capitol Hill como a sua primeira intervenção após um turbulento 40 dias na chefia da Casa Branca e avaliações baixas da sua aprovação.
O primeiro discurso veio quando os manifestantes tomaram as ruas de Washington, DC, antes da chegada de Trump ao Congresso, cantando slogans contra ele e enfatizando que eles iriam levar ao tribunal o presidente para uma série de suas políticas, incluindo uma polêmica decreto anti-imigratório.
O empresário norte-americano, Donald Trump virou presidente abriu seu discurso afirmando seu compromisso com os direitos civis dos EUA, denunciando a recente onda de ameaças dirigidas a centros judaicos em todo o país. "As recentes ameaças dirigidas aos centros comunitários judaicos e o vandalismo dos cemitérios judaicos, bem como o tiroteio da semana passada em Kansas City, nos lembram de que, embora possamos ser uma nação dividida em políticas, somos um país unido na condenação do ódio e do mal em todas suas formas”, disse Trump.
A declaração do Presidente Donald Trump surge pouco depois de as autoridades federais admitirem que estivessem a investigar o sucedido na passada quarta-feira.
Um engenheiro de 32 anos, Srinivas Kuchibhotla, foi morto a tiro por um veterano da marinha norte-americana, que feriu outro engenheiro indiano enquanto alegadamente gritava "Saiam do meu país".
O jornal Times of India declarou num editorial que o tiroteio tinha chocado a comunidade indiana nos Estados Unidos e apelou a Trump para deixar claro que "ódio deste não é aceitável na sua América".
O governador do Kansas anunciou que vai reunir-se com o cônsul geral da Índia para expressar apoio à comunidade indiana a viver na América.
Centenas de pessoas foram ao funeral de Kuchibhotla, que chegou aos Estados Unidos em 2005 para tirar um mestrado na Universidade do Texas.
Trump continuou dizendo que "não permitiria que os erros das últimas décadas" definissem o curso do futuro dos Estados Unidos.
Portas abertas à reforma da imigração
Em seu discurso, Trump pediu uma ampla revisão do sistema de imigração dos EUA e prometeu buscar alívio fiscal maciço para a classe média. Adotando um tom conciliatório em comparação com sua campanha de 2016, Trump disse que um amplo plano de imigração era possível se os republicanos e democratas no Congresso estivessem dispostos a comprometer-se.
"Acredito que uma reforma migratória real e positiva é possível, desde que nos concentremos nos seguintes objetivos: melhorar os empregos e os salários dos americanos, fortalecer a segurança de nossa nação e restaurar o respeito às nossas leis", observou.
Trump, que deve apresentar até o fim desta semana um novo decreto restringindo a entrada de cidadãos de países de maioria muçulmana, falou mais uma vez da necessidade de proteger a nação do "terrorismo islâmico radical". Segundo ele, é "imprudente" permitir a "entrada descontrolada" de pessoas de lugares onde não é possível haver uma checagem apropriada. "Não podemos permitir que nossa nação se torne um santuário para extremistas", disse.
O novo presidente dos EUA também esboçou o que ele gostaria de realizar durante seu primeiro ano de governo, de reformar os cuidados de saúde e os impostos, fortalecendo as fronteiras dos EUA e combatendo grupos terroristas.
Boa parte do discurso também foi tomada por críticas ao Obamacare, e Trump pediu mais uma vez ao Congresso um esforço para substituí-lo. "Mandar cada americano pagar um seguro de saúde aprovado pelo governo nunca foi a solução certa para a América." O presidente voltou a repetir suas promessas de campanha, como a promessa de criação de empregos e de colocar os americanos "em primeiro lugar". Ao país dividido, ele pediu que todos os cidadãos abraçassem esse momento de seu governo, definido por ele como a "renovação do espírito americano".
Horas antes da sua intervenção, Trump havia anunciado a jornalistas estar disposto a fazer uma reforma que legalizasse a situação de milhões de imigrantes ilegais que não cometeram crimes graves —uma mudança radical na forma como Trump vinha tratando o tema desde o início de seu governo.
No discurso, contudo, o presidente, não falou sobre a proposta de conceder aos imigrantes em situação irregular um status que os permita trabalhar e pagar impostos sem o temor de serem deportados —que não incluiria a cidadania americana.
Dos 11 milhões de estrangeiros irregulares nos EUA, estima-se que apenas 820 mil foram condenados por algum crime. Dentro dessa fatia, só cerca de 300 mil cometeram algum crime considerado grave, como homicídio ou estupro.
No discurso, porém, o presidente preferiu ressaltar a experiência de outros países, como o Canadá e a Austrália, que se baseiam, segundo ele, num sistema de imigração por mérito. "A mudança deste sistema atual de imigração menos qualificada para um sistema baseado no mérito terá muitos benefícios: economizará muitos dólares, aumentará os salários dos trabalhadores e ajudará as famílias em dificuldade —incluindo as famílias de imigrantes— a entrar para a classe média", disse Trump.
Ele ainda afirmou ser preciso cumprir as leis de imigração e defendeu sua proposta de construção do muro na fronteira com o México, segundo ele, uma "eficiente arma contra as drogas e o crime".
Na última semana, novas regras do Departamento de Segurança Doméstica colocaram como prioridade de deportação imigrantes ilegais que tenham cometido qualquer tipo de crime. "Estamos removendo membros de gangues, traficantes e criminosos que ameaçam nossas comunidades", disse Trump, que levou como convidados para a cerimônia familiares de vítimas de crimes cometidos por imigrantes ilegais.
ORÇAMENTO
Trump defendeu sua proposta de orçamento, anunciada na véspera, que prevê um aumento de US$ 54 bilhões nos gastos militares às custas de cortes em órgãos como o Departamento de Estado. Segundo ele, para manter os EUA seguros, é preciso oferecer aos militares "as ferramentas que eles precisam para evitar a guerra e —se precisar— lutar e vencer".
A proposta —que prevê reduzir 37% do orçamento do Departamento de Estado e da Usaid (agência para o desenvolvimento internacional)—, contudo, enfrenta resistência inclusive dos republicanos no Congresso. O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, já disse que a Casa "provavelmente" não aceitará um corte tão dramático no Departamento de Estado.