Papa recebe líderes religiosos venezuelanos para falar da crise
O papa Francisco vai receber, na quinta-feira, bispos e cardeais da Venezuela para debater a grave crise social e política no país, anunciou hoje o Vaticano.
Quatro bispos e dois cardeais, em representação da presidência da Conferência Episcopal venezuelana, vão ser recebidos pelo papa quando uma onda de contestação política e social abala o país desde o início de abril. Pelo menos 65 pessoas morreram em confrontos entre manifestantes e forças de segurança.
De acordo com um comunicado do episcopado venezuelano, o encontro "vai servir para comunicar diretamente ao papa Francisco a grave situação que se vive na Venezuela".
Em meados do mês passado, a conferência episcopal venezuelana defendeu a realização de eleições gerais para ultrapassar a crise e a abertura de um corredor humanitário.
O encontro de quinta-feira foi organizado a pedido dos bispos e cardeais venezuelanos "que pretendem falar com o papa sobre a situação na Venezuela", sublinhou o Vaticano, num curto comunicado.
No final de abril, o papa garantiu que o Vaticano estava disposto a assumir o papel de facilitador na crise venezuelana, mas "mediante condições claras".
Oito países da América Latina, como o Brasil e a Argentina, apoiaram a proposta de Francisco.
Mas a coligação da oposição venezuelana (MUD) oficializou, numa carta enviada ao papa argentino, a recusa de retomar o diálogo com o Presidente socialista Nicolas Maduro "sem garantias" em relação às modalidades deste diálogo.
Um diálogo político entre poder e oposição foi iniciado em outubro do ano passado, sob a égide do Vaticano e da União das Nações sul-americanas (UNASUR).
Mas o MUD suspendeu as negociações em dezembro, e acusou o poder de não aplicar os acordos já concluídos relativos a um calendário eleitoral e à libertação de opositores detidos.