Tesoureiro do Vaticano acusado de vários crimes sexuais
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A polícia australiana revelou que George Pell foi alvo de “múltiplas” queixas. O cardeal diz que as acusações são “falsas” e garante que condena os abusos sexuais.
(last modified 2018-08-22T11:02:24+00:00 )
Jun. 29, 2017 14:27 UTC
  • Tesoureiro do Vaticano acusado de vários crimes sexuais

A polícia australiana revelou que George Pell foi alvo de “múltiplas” queixas. O cardeal diz que as acusações são “falsas” e garante que condena os abusos sexuais.

O cardeal australiano e actual secretário para a Economia do Vaticano, George Pell, é suspeito de vários crimes sexuais. A polícia australiana adianta que as queixas se referiam a incidentes passados e que as acusações foram feitas por mais do que uma pessoa. O cardeal, número três do Vaticano e um dos clérigos mais prestigiados da Austrália, negou as acusações e, durante uma conferência dada na manhã desta quinta-feira, considerou que as "falsas" acusações se tratavam de um “assassinato de carácter incessante”.

A polícia não especificou quais as acusações apresentadas nem as idades das alegadas vítimas ou quando aconteceram os crimes, adiantando unicamente que não se tratava de um caso recente. Durante a conferência de imprensa, que decorreu no Vaticano, George Pell afirmou que iria viajar para a Austrália para se defender das acusações e “limpar o nome” — segundo o cardeal australiano, o Papa Francisco tem sido mantido ao corrente da situação e autorizou uma licença. O cardeal será ouvido no Tribunal de Melbourne em menos de um mês, a 18 de Julho. 

O cardeal viajará de acordo com as recomendações dos seus advogados e médicos, dado o seu estado de saúde frágil, e garante que aguarda o dia em que se encontre em tribunal para se poder defender das acusações de abusos sexuais, uma prática que diz condenar veementemente. “A ideia de abuso sexual, para mim, é abominável”, afirmou durante a conferência de imprensa desta quinta-feira.

George Pell, de 76 anos, é cardeal desde 2003 e foi nomeado pelo Papa Francisco em 2014 para reformar e tornar mais transparentes as actividades financeiras do Vaticano. Na altura da morte do Papa João Paulo II, em 2005, George Pell tinha sido apontado pela imprensa australiana como um dos potenciais sucessores ao mais alto cargo da Igreja Católica. Quando terminar o processo judicial, diz, pretende regressar ao Vaticano. 

“Sempre fui consistente e claro na rejeição total destas acusações”, disse George Pell nesta quinta-feira, considerando que a sua ida a tribunal lhe oferece uma oportunidade para negar as acusações de que é alvo. O porta-voz do Vaticano, Greg Burke, confirmou que tinha sido concedida uma licença ao cardeal australiano “para que se possa defender”, frisando que, anteriormente, George Pell já “condenou publicamente os abusos sexuais a menores”, qualificando-os como práticas “imorais e intoleráveis”. 

Historial de abusos

O comissário da polícia do estado australiano de Victoria, Shane Patton, afirmou que os “procedimentos que seguem a acusação do cardeal Pell têm sido os mesmos que se aplicam nos restantes casos de crimes sexuais passados” investigados pela polícia. “O cardeal Pell tem sido tratado da mesma forma que qualquer outra pessoa nesta investigação”, garantiu, citado pela CNN.

George Pell, um dos principais conselheiros do Papa Francisco, é um dos primeiros membros do Vaticano com um cargo tão importante a ser acusado de abuso sexual. Já em Julho do ano passado foi noticiado que a polícia australiana estava a investigar denúncias de abusos sexuais contra o cardeal. Na altura, a televisão australiana ABC afirmava ter tido acesso a oito denúncias relativas a factos alegadamente ocorridos entre 1970 e 1990, quando Pell era arcebispo de Melbourne.