Pelo menos 18.500 rohingyas fugiram para o Bangladesh desde sexta-feira
https://parstoday.ir/pt/news/world-i22161-pelo_menos_18.500_rohingyas_fugiram_para_o_bangladesh_desde_sexta_feira
Pelo menos 18.500 refugiados da Birmânia atravessaram a fronteira para o Bangladesh desde o início de combates entre o exército birmanês e rebeldes muçulmanos rohingyas, na sexta-feira passada, anunciou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
(last modified 2018-08-22T15:32:40+00:00 )
Ago. 30, 2017 14:43 UTC
  • Pelo menos 18.500 rohingyas fugiram para o Bangladesh desde sexta-feira

Pelo menos 18.500 refugiados da Birmânia atravessaram a fronteira para o Bangladesh desde o início de combates entre o exército birmanês e rebeldes muçulmanos rohingyas, na sexta-feira passada, anunciou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

"No total, 18.500 pessoas atravessaram [a fronteira] desde 25 de agosto", dia em que começaram os confrontos entre rebeldes e exército, disse o porta-voz da OIM, Chris Lom, citado pela agência France-Presse.

Esta estimativa resulta de uma compilação de dados recolhidos pelas organizações não-governamentais que apoiam os refugiados na região de Cox's Bazar, no Bangladesh.

Trata-se sobretudo de muçulmanos rohingyas que fogem da violência no Estado de Rakhine (oeste da Birmânia), que matou pelo menos 110 pessoas desde sexta-feira.

"Sabemos que há pessoas presas na fronteira, mas não sabemos quantas", disse Chris Lom, que insistiu na dificuldade de trabalhar na região.

O acesso ao Bangladesh foi recusado a uma parte dos refugiados nos últimos dias.

Mais de um milhão de rohingyas vivem no estado de Rakhine, onde sofrem uma crescente discriminação desde o surto de violência sectária que provocou, em 2012, pelo menos 160 mortos e deixou perto de 120 mil membros da comunidade confinados em 67 campos de deslocados.

As autoridades da Birmânia, onde mais de 90% da população é budista, não reconhecem cidadania aos rohingya -- minoria apátrida considerada pelas Nações Unidas como uma das mais perseguidas do planeta.

Apesar de muitos viverem no país há gerações, não têm acesso ao mercado de trabalho, às escolas, aos hospitais e o recrudescimento do nacionalismo budista nos últimos anos levou a uma crescente hostilidade contra eles, com confrontos por vezes mortíferos.