Buenos Aires recebe presidente dos EUA após visita a Havana
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Após um mês de críticas por causa da data da viagem, que coincide com o aniversário de 40 anos do último golpe de Estado, a Argentina recebe nesta quarta-feira (23) o presidente Barack Obama.
(last modified 2018-08-22T15:30:24+00:00 )
Mar. 23, 2016 06:49 UTC
  • Buenos Aires recebe presidente dos EUA após visita a Havana

Após um mês de críticas por causa da data da viagem, que coincide com o aniversário de 40 anos do último golpe de Estado, a Argentina recebe nesta quarta-feira (23) o presidente Barack Obama.

A receptividade deve ser maior do que a esperada para um país que adotou nos últimos oito anos uma política "antiestadunidense" —como Obama classificou a postura do governo de Cristina Kirchner (2007-2015).

Hoje, 45% dos argentinos têm uma imagem boa dos Estados Unidos e 18%, ruim, segundo o instituto Poliarquía. Em 2008, 32% viam o país de forma negativa e 29%, de forma positiva.

Para o economista Ezequiel Zambaglione, com a visita de Obama e da comitiva de empresários que o acompanha, os investimentos deverão aumentar. A Argentina precisa de uma injeção de capital em infraestrutura, sobretudo no setor energético.

Para os EUA, a viagem marca a intenção de voltar a influenciar a Argentina, após o desembarque do capital chinês durante o kirchnerismo. "A China ganhou espaço concedendo empréstimos. Agora, pode haver um novo equilíbrio", diz Juan Pablo Lohlé, embaixador da Argentina no Brasil entre 2003 e 2011.

Para o presidente da Argentina, Mauricio Macri, que acaba de completar cem dias no governo, a vinda de Obama é um sinal de que o país está “saindo do isolamento”, numa crítica à política externa se sua antecessora, Cristina Kirchner. O último presidente norte-americano a visitar a Argentina para um encontro bilateral foi Bill Clinton, há dezenove anos.

Em 2005, George W. Bush esteve em território argentino para participar de uma reunião de líderes dos países do continente americano – com exceção de Cuba. Bush foi recebido por protestos nas ruas contrários à proposta apresentada por ele de criar uma Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

“Acho que o gesto da visita do presidente Obama é muito importante para nós porque mostra o interesse, a prioridade do governo dos Estados Unidos na gestão do presidente Macri”, disse a ministra das Relações Exteriores argentina, Susana Malcorra.

“A data me surpreendeu. Eu pensava que ele viria mais tarde, o que demonstra que houve muito boa predisposição por parte da administração [norte-americana]. Vocês sabem que a Casa Branca não organiza essas viagens de forma repentina”, acrescentou.

Antes de embarcar para Cuba, Obama disse, em entrevista a um canal de televisão, que manteve uma relação “cordial” com Cristina Kirchner, mas que as politicas dela “eram sempre anti-norte-americanas” e que ela empregava uma “retórica dos anos 60 e 70”. Com Macri, Obama acredita que as relações serão diferentes, porque o novo presidente “reconhece que estamos numa nova era e precisamos olhar para frente”, segundo o norte-americano.