Militares ocupam televisão pública e são ouvidas explosões em Harare
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Crise política no Zimbabwe agrava-se e adensam-se os rumores sobre um possível golpe militar.
(last modified 2018-08-22T11:03:02+00:00 )
Nov. 15, 2017 01:12 UTC
  • Militares ocupam televisão pública e são ouvidas explosões em Harare

Crise política no Zimbabwe agrava-se e adensam-se os rumores sobre um possível golpe militar.

A sede da televisão pública do Zimbabwe, a ZBC, foi esta noite de terça-feira tomada por militares, segundo disseram à Reuters dois funcionários da estação estatal. As mesmas fontes indicam que alguns funcionários foram manietados pelos soldados.

Também durante a noite foram ouvidas pelo menos três explosões na capital Harare e foram vistos militares nas ruas, segundo testemunhas citadas pela Reuters. A embaixada dos Estados Unidos anunciou que irá permanecer encerrada durante o dia de quarta-feira e pediu aos cidadãos norte-americanos no Zimbabwe que não saiam à rua até novas informações.

Os acontecimentos desta noite, ainda que possam significar apenas uma demonstração de força por parte dos militares, reforçam a ideia de que poderá estar iminente um golpe de Estado no Zimbabwe. Na segunda-feira, o comandante das Forças Armadas, Constantino Chiwenga, tinha feito uma rara intervenção pública exigindo o fim daquilo que considera ser uma “purga” no partido do poder, o Zanu-PF do Presidente Robert Mugabe (que na semana passada demitiu o segundo vice-presidente), e garantiu que o exército interviria se necessário.  

Já na terça-feira, foram avistados dois tanques estacionados na principal estrada que liga Harare e a cidade de Chinhoyi, numa zona localizada a cerca de 20 quilómetros da capital. Outras testemunhas referiram que outros quatro tanques fizeram inversão de marcha quando chegavam a Harare e seguiram em direcção a um complexo da guarda presidencial situado num subúrbio da cidade. Durante o dia, e após a declaração de Chiwenga e os relatos de movimentações de tanques, o Zanu-PF declarou que não iria ceder à pressão militar e acusou o chefe das Forças Armadas de traição.

O aviso do líder das Forças Armadas e o crescimento da tensão surgem depois da demissão do vice-presidente Emmerson Mnangagwa, que começava a ser apontado como o possível sucessor do Presidente Mugabe, de 93 anos, numa decisão que foi vista como uma forma de abrir caminho ao poder à primeira-dama Grace Mugabe. Para Dezembro está marcado um congresso do Zanu-PF onde será escolhido o próximo vice-presidente.