Governos na América Latina podem usar software para espionar cidadãos
https://parstoday.ir/pt/news/world-i3112-governos_na_américa_latina_podem_usar_software_para_espionar_cidadãos
Segundo relatório ONG Derechos Digitales, quase todo país na AL tem usado software da Hacking Team para vigiar cidadãos, o que incluiria também o Brasil
(last modified 2018-08-22T11:00:29+00:00 )
Abr. 08, 2016 14:19 UTC
  • Governos na América Latina podem usar software para espionar cidadãos

Segundo relatório ONG Derechos Digitales, quase todo país na AL tem usado software da Hacking Team para vigiar cidadãos, o que incluiria também o Brasil

Um novo relatório da ONG “Derechos Digitales”, de Santiago, Chile, indica que quase todo país na América Latina, tem usado um software para espionar seus cidadãos, o que incluiria também o Brasil. As informações foram reportadas inicialmente pelo site americano BuzzFeed News. Autoridades do Brasil, Chile, Equador, Colômbia, Honduras, México e Panamá teriam comprado o software da empresa italiana Hacking Team para fins de espionagem.  Segundo o BuzzFeed, Argentina, Guatemala, Uruguai e Venezuela também teriam negociado com a companhia para adquirir tal programa, porém não parecem ter comprado nenhuma ferramenta da Hacking Team. No entanto, vale ressaltar que muitas das compras de software da empresa se dá através de intermediários, tendo em vista suas restrições de exportação. Isso significa que muitos outros países podem ter escapado do relatório da Derechos Digitales.  O relatório se baseia principalmente em informações vazadas em 2015 que continha mais de um milhão de e-mails internos da Hacking Team, que detalhavam o uso de malware e vulnerabilidades de sistema para criar um spyware capaz de interceptar dados em qualquer telefone ou computador. O BuzzFeed reportou que a jornalista colombiana Vick Davila teve suas comunicações privadas com sua família interceptadas, possivelmente devido ao seu trabalho investigativo a uma rede de prostituição dentro da polícia local. Membros da Derechos Digitales disseram que jornalistas e ONGs estão entre os alvos mais frequentes de espionagem por seus governos. No caso, e-mails de phishing, onde uma pessoa é enganada a clicar e baixar um malware que parece em um documento ou anexo, são os mais comuns. Vale ressaltar que no caso do Brasil, que tem vivido uma época de polarização política e com a iminência da votação da CPI de Crimes Cibernéticos (que propõe projetos de lei que cerceariam a liberdade de expressão na rede caso aprovados), o uso desse software poderia facilitar novas formas de perseguição política a ativistas, jornalistas e dissidentes.  “Na América Latina, atividades de vigilância e espionagem do governo são dignas de suspeita, especialmente se nós levarmos em conta a história de autoritarismo e repressão na região. Programas de espionagem que são invasivos como os do Hacking Team se prestam a abusos e violações dos direitos humanos”, alerta o relatório.