Shams, um gênio do mundo dos mistérios.
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O dia sete de Mehr (28 de setembro) foi nomeado no Irã Islâmico, como o “dia de Shams Tabrizi”, um gênio do mundo místico, e por essa razão foi preparado um programa especial, dedicado a este místico iraniano.
(last modified 2018-08-22T15:31:14+00:00 )
Set. 30, 2016 00:36 UTC
  • Shams, um gênio do mundo dos mistérios.

O dia sete de Mehr (28 de setembro) foi nomeado no Irã Islâmico, como o “dia de Shams Tabrizi”, um gênio do mundo místico, e por essa razão foi preparado um programa especial, dedicado a este místico iraniano.

No dia sete de Mehr (28 de setembro), é celebrado anualmente as comemorações nos centros culturais e científicos do país, em particular na cidade de Khoy, onde está sepultado o grande místico iraniano o Shams Tabrizi.

Ele nasceu em 1185 e faleceu em 1248. Não existem muitas informações sobre a vida de Shams Tabrizi, a quem dedica o Molana Jalaudin Mohammad Molavi (Rumi), o renomado poeta e mística iraniana a grande parte das suas poesias; e ainda existem mistérios e ambiguidades sobre a sua vida.

Quando o Shams Tabrizi chegou à Konya em 1244(no ano 642), tinha cerca de 60 anos e foi neste período que o Rumi o conhecia e este encontro tinha causado grandes alterações na vida do poeta; nesta época o Rumi tinha 39 anos.

São poucas informações sobre este velho homem de 60 anos; sobre o que ele disse ou feito e como em pouco tempo conseguiu transformar o Rumi, o proeminente estudioso, filosofo erudito que ensinava nas quatro escolas credenciadas, em um homem apaixonado? Obviamente, o Rumi com este encontro se transformou e ficou totalmente perdido; porem, satisfeito e alegre pela esta mudança.

Segundo os que pesquisadores do Rumi, se não fosse o Shams e o seu encontro com Rumi, porventura nunca ele ficasse tão conhecido ou tornasse tão singular na literatura persa e no mistíssimo. O Rumi inspirou o seu grande livro poético o “Mathnavi” após conhecer o Shams Tabrizi. Ao mesmo tempo, se não fosse o Rumi, o nome do Shams nunca ficaria mundialmente conhecido e eternizado.

Místico vidente, o Shams al-Din Mohammad Ben Ali Ben Malek Tabrizi, nasceu no final do século VI da Hégira lunar (AH) (cerca do ano 582) e fechou os seus olhos a este mundo nos finais do século VII Hégira lunar (645).

Antes de ser publicado o livro “Os Artigos do Shams Tabrizi” não havia notícias importantes sobre ele.

Outras obras mais antigas, como “Ebteda Naemeh” de autoria Soltan Valad, filho do Molavi, “Managheb al-Arefin” de Aflaki e o ensaio de “Sepah Salar”, também fornecem informações sobre o Shams Tabrizi.

No ensaio de “Sepah Salar” sobre o Shams disse: Nenhuma criatura tem informações sobre a vida do Shams, porque ele escondia a sua fama e reputação e os seus mistérios. No livro “os Artigos”, embora não fale sobre o histórico do Shams, mas nos fornece informações que através delas pode conhecê-lo, isto é pelas descrições e as suas recordações ou depoimentos, depoimentos e suas memórias que têm feito nas diferentes ocasiões sobre as pessoas e personalidades, os quais podem ser úteis para identificá-lo.

 

O túmulo de Shams Tabrizi localizado na cidade de Khoy

Muitos pesquisadores acreditam que o livro «Artigos de Shams Tabrizi» é uma janela que pode diretamente nos familiarizar com esta personalidade extraordinária e com os seus pensamentos e métodos. No livro se disse: ”quando o Shams chegou à Konya- estas informações também são mencionadas no ensaio de “Sepah Salar”. - foi ficar em um Caravançarai. Perguntaram-lhe porque não iria a uma Khanaqa (Tekke)? “Ironicamente respondeu que não merecia e não era digna de entrar na Khanaqa, e que ela era o lugar para quem não tivesse vida terrestre”. A vida dos que residem na Khanaqa é preciosa e não se pode ser desgastada com assuntos terrestres”. Perguntaram-lhe se não vai a Khanaqa, então como sábio e docente deve escolher uma escola e ele respondeu: "as pessoas da escola são reféns das suas palavras e isto não era o meu negocio. E se quiser falar do meu jeito, obviamente, vão me rir e me recusaram". Ele continuou, “então me deixem na minha solidão, sou um estranho e solitário que o seu lugar somente é neste Caravançarai”.

Shams se sente solitário neste universo. “Deus, me criou sozinho, o povo não está familiarizado com a minha fala”. Uma linguagem que ninguém entende, por isso dizia: "Deus faz criaturas que ninguém suporta a sua tristeza e alegria, que beber vinho da sua recipiente, jamais se encontrará, e é uma perdição".

Shams, embora amasse o povo, mas evitaria se misturar e estabelecer relação com as pessoas, porque acredita: "neste mundo não tenho convivência com esta gente”. Esta sensação de solidão é tão forte nele que imaginava desde a sua infância estar sozinho e desconhecido. Às vezes, surpreendido por este sentimento de alienação e solidão tão forte que dizia, "será que os meus pais na infância, me abandonavam num lugar e tive que conviver com animais e crescer com esta fauna?”.

Nos “Artigos de Shams Tabrizi” também conhecemos os seus pais.  Ele em “Artigos” apresenta os seus pais como pessoas piedosas e gentis. Na sua crença, foi criado mimado. Ele disse: “Foi à culpa dos meus pais que me criaram mimado”. Shams Tabrizi, numa parte de “Artigos” com todo o afeto que um filho sente pelos pais, disse: “eles foram boa gente, mas não foram apaixonados, o meu pai não me conhecia”. Estava recluso na minha cidade, o meu pai foi estranho para mim, estava longe dele. “Tratava-me com ternura, mas sempre pensava que queria me rejeitar, me abandonar e me jogar fora da casa”.

Em partes do livro, o Shams mergulha o leitor na sua infância. Embora use frases curtas sobra a sua vida, mas pode entender a sua diferença -mesmo na idade infância- com outras crianças e alunos da escola em que não foi educado com a mesma tradição. Ele parece uma personalidade que sofria da austeridade, repleto do amor divino e estes retiraram dele o sonho e mesmo a alimentação, tem um moral diferente. O pai, na expressão de hoje, não o compreendia; não podia o considerar sábio nem ignorante ou loco.

Shams tenta convencer o pai para não impedi-lo. Ele conta ao pai, historia de uma galinha que cria ovo de um pato, ela cuidava de todos os ovos e até saíram da casca, quando eles cresceram levava-os ao litoral do mar, o patinho salta na agua, nadando, a mãe que não sabe nadar, fica fora encaminhando.

Shams, fala com o seu pai e dizendo-lhe: "agora eu cheguei ao mar, que é o meu lugar. Aqui é a minha cidade natal, sendo isto o meu humor. Se você for igual a mim, entra na agua, se não volte para o galinheiro junto com galinhas”.

 

Provavelmente, Soltan Valad, o filho do Molavi, é quem acolheu “Artigos do Shams”. Foi dito que uma das coleções que foi copiado de um texto original escrito durante a vida do Shams, e durante alguns tempos estava com Rumi, foi compilado numa coleção intitulada "Os segredos de Shams al-Din Tabrizi". Os Pesquisadores acreditam que o motivo para deste titulo, era que o Rumi, chamava as palavras do Shams como segredos. O próprio Shams também repetidamente sublinhava que contava "segredos” e não meramente palavras. No livro ”Artigos” a este respeito disse: “vem alguém com muitos segredos, me pediu falar dos segredos, lhe respondi que somente posso contar segredos a quem me identifico nele , abro o meu segredo a quem vejo o meu ego, não  vê-lo igual a mim, e vejo outra pessoa".

Por outro lado, é interessante saber que os seguidores do Rumi, chamavam o livro “Artigos de Shams” como “Manto do Shams Tabrizi”. Esta interpretação também oriunda das palavras do Shams. Tem sido habitual que os renomados sufis, vestiam aos seus seguidores o manto de sufis (um traje de lã) e isto era um sinal de reconhecimento da submissão do guiado ao guia ou instrutor. Shams sempre afastava deste ritual, e se considerava muito superior a estas etapas ordens.

O Shams, segundo os místicos era uma personalidade espiritual e ao mesmo tempo eloquente, mas infelizmente não escreveu livros. Se porventura escrevesse, seria a maior obra-prima da prosa persa. O Rumi nos seus líricos e odes mencionava a força da palavra e a doçura do discurso do Shams, e o próprio Shams tinha também consciência do seu discurso forte. Nos Artigos ele dizia: “quem familiarizar com a minha linguagem, o seu sinal será a frieza e amargura da sua linguagem (...) tornando-se tão desagradável que ninguém falará com eles”.

Rumi, segundo Shams, dizia: "quando descobri-lo, os meus livros perderam o seus propósitos e gostos”.

Os ensinamentos de Rumi abre o caminho para o desconhecimento do homem contemporâneo e a sua mensagem ao homem de hoje é adoração a Deus apaixonadamente e enxergar o universo belamente e reconhecer o lugar e a dignidade do homem e escolher um estilo da vida muito alegre e meiga.

Hoje, mais do que nunca, o homem precisa da literatura. Em momentos de raiva e violência e sem afeto, o momento em que as manchetes de noticiarias mundiais falam da destruição, sangue, crueldade e loucura, se vê um grande vacu da literatura; mais do que em outros momentos.

A missão da literatura atual é mostrar a verdade da vida humana, uma tarefa para corrigir e melhorar as vidas no sentido a alcançar a perfeição.

Hoje, mais do que nunca, a humanidade esta carente e necessita de ajuda. Humor, Sofrimentos interiores e Conflitos intrínsecos do homem de hoje é o mesmo que tinha sido existido durante milhares dos anos, com uma diferença: A alma do homem contemporâneo enfrenta a sua decadência.

O homem moderno é, mais do que qualquer outro momento, conflitoso e violento e muito ambicioso. O mundo materialista de hoje está passando por uma barbaridade mundana e a literatura pode ajudar e dirigir as pessoas, criando um consentimento. A literatura é um capitulo comum para todos os seres humanos, desde passado até o presente.

Segundo Vargas Llosa [1] “Por meio da literatura, a humanidade pode se conhecer e se dialogar. A literatura possibilita a cada pessoa, com a sua característica, ultrapassar a historia e aprender lição dos ensinamentos e apresentar um novo plano para reconstruir o seu universo desprovido de violência e mentiras, ilusão e medo. Hoje, o próprio homem perdeu o seu Deus e o amor e sozinho esta vagueando sem rumo”.

 

O amor é a ponte entre o ser humano e o Deus.

O Molavi ajuda o homem desnorteado, e traves dos poemas dirige-lo ao Amor. Porque ele vê a perfeição de adoração a Deus e a experiência da religiosidade -o mais adequado caminho da relação entre homem e o Deus- através do amor.  A paixão que Rumi apresenta ao homem se inicia pela atenção e o apego às aparências humanas, porem em direção ao Deus em que com Ele alcance a Perfeição.

Euforia, vitalidade e paixão inesgotável do Rumi, lança a luz de um entusiasmo e alegria sobre toda a vida e o caráter, arte e a escola mística. Sua abordagem sobre a verdade e a paixão, se baseia em uma experiência romântica. Para ele, a paixão é a própria vida.  O Amor no olhar do Rumi, é uma relação vital e dinâmica entre o servo e o Deus que conceitua a Criação, Vida, Morte e Apocalipse.  O Amor abrange qualquer ser vivo no planeta; a pergunta é “como o homem perdeu a sua paixão inerente”?

Do ponto de vista do Rumi, a servidão com paixão, lapidaria o coração do homem, em que se passa do narcisismo à adoração de Deus.  Faz com que o homem reconheça a sua posição e o seu nobre lugar.

Cada ser humano no olhar do Jalal edin Muhammad Rumi possui o talento suficiente para se aproximar a Deus. A mensagem de Rumi para o homem atual é a adoração apaixonadamente a Deus, e enxergar o seu universo belamente e reconhecer o lugar e a dignidade humana e prosseguir a vida alegre e meigamente.

O Amor em todos nós, é um dom inerente que está depositado simplesmente na vida, basta procura-lo.

 

[1] - Jorge Mario Pedro Vargas Llosa, é um escritor, jornalista e politico peruano, laureado com o Nobel da literatura em 2010.  .