Literatura Mundial em dívida com a Língua e Literatura Farsi
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No dia 18 de setembro, é o dia da Poesia e Literatura Persa no Irã. A poesia e a literatura é a carta de identidade dos iranianos cujo país é famoso como a terra de formosas histórias e fábulas desde tempos remotos.
(last modified 2018-08-22T11:02:47+00:00 )
Set. 22, 2017 02:49 UTC
  • Literatura Mundial em dívida com a Língua e Literatura Farsi

No dia 18 de setembro, é o dia da Poesia e Literatura Persa no Irã. A poesia e a literatura é a carta de identidade dos iranianos cujo país é famoso como a terra de formosas histórias e fábulas desde tempos remotos.

O poeta francês contemporâneo Abel Bonnard disse: "Uma pessoa, que tem viajado a todos os países da Ásia e vivido com sua gente,  pode estar encantada com a filosofia da Índia, assombrada com a grandeza de China e surpresa com o gênio de Japão, mas seguramente vai ficar enfeitiçado com a arte do Irã. Esta nação é brilhante em todas as artes, mas sobretudo atrai por sua poesia e literatura".

 A familiaridade dos ocidentais com a poesia e a literatura persa remonta-se a era-a das cruzadas. Alguns orientalistas acham que as fábulas, poemas e histórias iranianas entraram na Europa medieval através da Espanha. Isto fez que os europeus ficassem fascinados com a formosa literatura do Oriente, especialmente das terras muçulmanas. O orientalista francês René Grousset, escreveu sobre o Irã: "Se permite-me expressar minha opinião como estrangeiro, deveria dizer que o Irã tem um enorme posto na humanidade, pois, como a história dá depoimento, o Irã, com sua forte cultura e delícias islâmicas, tem permitido o entendimento mútuo, o acordo e a coerência entre as nações porque têm encontrado uma única filosofia, pensamento e ideal. Impressionado pelos pensamentos e poemas iranianos, diferentes raças voltaram-se comuns em crenças e fé. Os poetas iranianos têm alimentado o mundo. As emoções dos poetas iranianos têm ultrapassado a impressão que deixam os franceses, índios, turcos ou georgianos. Há que dizer que os místicos iranianos, apesar de serem muçulmanos, fazem palpitar o coração de um cristão como um brâmane e é por isso que pertencem a toda a humanidade".

O acadêmico checo Yerzhi Bêčka afirma: "A literatura persa ocupa o primeiro lugar na literatura romântica do mundo e Hafez  recebeu a primeira posição ao longo de 1000 anos da poesia persa. Hafez é absolutamente o maior poeta de toda a literatura do mundo ao longo da história".

O reconhecido poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe, que ficou encantado com o poeta iraniano Hafez e seus poemas, escreveu em sua obra eterna O Divã do Oriente e Ocidente: "Oh Hafez! sua palavra é tão grande como a eternidade, não tem princípio nem fim. Sua palavra é como a cúpula do céu depende de si mesma e um não pode distinguir entre a lírica e o verso de seus sonetos cuja totalidade, em soma, é beleza e perfeição . Tu é a fonte da que brota a poesia e a alegria da qual emana, a cada momento, uma onda depois de outra de estribos sempre prontos para alegrar o coração. Inclusive se acabasse-se o mundo gostaria de estar a seu lado ¡Oh celestial Hafez! e compartilhar suas alegrias e penas como um irmão. Desejo que me manifeste seu amor porque é o orgulho e fonte de minha vida Oh Hafez! Quero imitar seu estilo na hora de escrever meus sonetos, versos e rimas. Como gostaria de poder  fazer , gostaria de aplicar todas suas pautas e poder criar um poema como os  seus! Poeta do Mundo dos Poetas!

As traduções alemãs dos poemas de Hafez têm cativado a muitos pensadores. Friedrich Wilhelm Nietzsche qualifica os poemas do iraniano como um esplêndido edifício e um fenômeno  parece ser impossível que possa ser criado  novamente . O pensador francês Jean-Paul Fouchecourt, que parece ter vivido com Hafez, diz: "Os poemas de Hafez são para todos os momentos da vida. A expressão romântica de Hafez formou-se no marco islâmico, um marco que tem marcado muito forte o tema do monoteísmo. O destinatário do amor é mais que um único ser e este amor é perfeito, sem igual, sem  inveja que inspira e se distancia dos demais. O conceito de amor de Hafez tem sido adotado de um ambiente místico".

O que fascina os grandes pensadores em todo mundo são os pensamentos e as ideias elevadas que prevalecem nos poemas persas dos poetas iranianos. As perguntas filosóficas de Khayyam, o amor místico de Molavi e Hafez, Ferdosi e a racionalidade da sabedoria de Saadi têm atraído a milhares de amantes em todo mundo.

Uma vez, a tradução em inglês de quartetos de Khayyam por Edward Fitzgerald foi o terceiro sucesso de vendas só após a Biblia e Shakespeare. Esta tendência estendeu-se na medida em que os poemas de Khayyam foram parceiros dos soldados britânicos durante as duas guerras mundiais. O poeta britânico Richard Lhe Gallienne, diz na tradução dos quartetos de Khayyam (Rubaiyat)

" Poderia ser dito que os quartetos não são flores por si mesmas, mas pétalas que formam uma rosa coletivamente. E a tradução de FitzGerald pode ser a maravilha desta flor. As pétalas vieram do Irã, mas o mago inglês, com seu feitiço, com sua inspiração, fez deles uma rosa de 101 pétalas que nenhuma outra flor pode rivalizar em termos de beleza e de cheiro".

A tradução dos poemas de Jalal eddin Molavi, conhecido como Rumi, também revolucionou a literatura mundial. O mundo tem ouvido a mensagem de Molavi e tem ficado prendado por seus encantadores susurros. O orientalista alemão Karl Hermann Ethe, diz: "A cada vez que  Molavi se enchia do amor depois de ter atingido os mistérios divinos, compunha esses inumeráveis sonetos místicos que são verdadeiras jóias da literatura mundial".

O Shahnameh (O Livro dos reis), a obra magna do  renomeado poeta iraniano Ferdosi, é induvidavelmente uma das mais gloriosas heranças para a humanidade. Em termos de profundidade, pureza, delicadeza, luminosidade, estilo e linguagem, os orientalistas, especialmente os russos, chamam ao Shahnameh o mais raro tesouro da literatura mundial. Yevgeny Eduardovich Bertels, acha que "Ferdosi, quem dedicou o  ardente amor de seu coração a sua terra, será eterno por seu Shahnameh e conseguiu o respeito e amor da nação iraniana, além de acrescentar uma das melhores jóias raras ao tesouro da literatura mundial".

Jan Rypka, prominente orientalista checo, tradutor e professor de iranología, acha que "Ferdosi levanta-se como a literatura de Tahamtan Farsi". A história do Shahnameh aborda uma espécie de épica humana,  imaginações e a linguagem figurativa que se utilizou neste livro, revelam realidades que são importantes não só para a história, mas também para o estudo das comunidades primários ".

O orientalista francês Henri Massé sustenta que "entre todas as epopeyas iranianas, o Shahnameh é especialmente superior, pois fala dos conflitos de uma velha nação que defende sua nacionalidade e soberania Shahnameh é a poesia de honras e dores de uma nação e isto é suficiente para colocar entre as obras literárias o maior prestígio, no entanto, Shahnameh tem outro valor, ao combinar duas épocas diferentes: por um lado, está o antigo Irã, onde um das mais famosas religiões surgiu e, por outro lado, está o Irã do século 11 que se considera como o amanhecer do novo Irã. Esta epopéia nacional, que inclui dois mundos do zoroastrismo e o Islã manifestando um dos desenvolvimentos mais eficazes asiáticos".

Os dois livros de Golestan e Bustan de Saadi também têm fascinado a literatura e a arte no mundo. Saadi é o maestro de uma sabedoria elevada e valiosa cujas bases se fundaram no altruismo. De fato, o que tem atraído aos ocidentais foram os ensinos éticos deste autor persa  que não tinham mais inclinação que a dignidade e o amor aos seres humanos. Como diz o poeta estadounidense Ralph Waldo Emerson, Saadi fala no idioma de todas as nações e etnias e suas palavras são sempre muito parecidas às de Homero, Shakespeare e Cervantes. Emerson considera   Golestan de Saadi como uma das 'biblias' e sustenta que suas instruções éticas são leis públicas e internacionais.