Trump considera Netanyahu como um "problema"
A confidência feita a António Guterres foi testemunhada por vários diplomatas e logo se tornou uma inconfidência, ou mesmo uma sensacional indiscrição do presidente norte-americano: o líder israelita é não só um "problema", mas também um "problema maior" do que o seu homólogo palestiniano.
Um alto funcionário da Casa Branca pôs em dúvida que Donald Trump tivesse emitido um juízo tão devastador sobre o seu mais próximo aliado e protegido no Médio Oriente. Mas a revelação, feita em artigo publicado no Haaretz, baseia-se em sete fontes diplomáticas credenciadas na ONU.
Depois de as ter cruzado, aquele conspícuo diário israelita reconstituiu a conversa entre o inquilino da Casa Branca e o secretário-geral da ONU.A conversa ocorreu à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, em 19 de setembro. Durou apenas 15 minutos, que começaram com as felicitações de Guterres a Trump pela sua declaração de intenções, relativas à assinatura de um acordo de paz israelo-palestiniano.
Segundo as fontes israelitas e ocidentais referidas pelo Haaretz, Trump terá replicado que "ambos os líderes [Netanyahu e o presidente palestiniano Abbas] são problemáticos", tendo acrescentado que, "dos dois, Netanyahu é o problema maior".
Segundo um diplomata ocidental, Trump reflectia ainda as dificuldades da reunião que tivera na véspera com Netanyahu. Este apenas queria obter dos EUA um incremento das pressões sobre o Irão e ficou desagradavelmente surpreendido por Trump trazer para a mesa o dossier palestiniano.
Na conversa entre Guterres e Trump, o secretário-geral da ONU manifestou o seu acordo com a ideia expressada pelo presidente norte-americano de que Abbas está em fim de carreira, com interesse em deixar um acordo de paz como herança duradoura, ao passo que Netanyahu tem agora uma oportunidade única, precisamente por se encontrar na presidência dos EUA um presidente mais favorável a Israel do que nenhum outro, no passado ou no futuro previsível.