Trump partilha vídeos antimuçulmanos de grupo radical britânico
Vice-presidente da organização Britain First ficou entusiasmada com os tweets de Trump e pediu que Deus abençoe o Presidente dos Estados Unidos.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, partilhou na sua conta no Twitter três vídeos que foram publicados pela vice-presidente do Britain First, uma organização britânica de extrema-direita e ultranacionalista. O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, já exigiu ao Governo britânico que condene essas partilhas.
Nos vídeos, publicados em primeiro lugar por Jayda Fransen, vêem-se actos de vandalismo e violência contra pessoas, alegadamente cometidos por muçulmanos.
Num deles, um homem destrói uma estátua da Virgem Maria; noutro, um rapaz – descrito por Jayda Fransen como “um migrante muçulmano” – espanca “um rapaz holandês de muletas”; e num terceiro, “uma multidão de islamistas empurra um adolescente de um telhado e espancam-no até à morte”. Nenhum dos vídeos nem nenhuma das mensagens de Jayda Fransen disponibilizam contexto sobre os acontecimentos filmados – e também não é possível confirmar a veracidade dos vídeos.
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Os vídeos partilhados por Donald Trump não foram publicados por Jayda Fransen de forma sequencial – o Presidente dos Estados Unidos teve de pesquisar na conta da vice-presidente da organização ultranacionalista britânica para escolher estes três vídeos em particular. A mesma conta tem muitos outros vídeos que Fransen diz serem de incidentes com muçulmanos.
Em 2015, quando foi questionado sobre o que significa para ele um retweet (a partilha de uma mensagem publicada por outro utilizador), Donald Trump respondeu: “Quando eu partilho, há um motivo para isso.”
A organização Britain First foi fundada em 2011 por antigos membros do British National Party, e os seus líderes e seguidores são contra o multiculturalismo – de acordo com o Britain First, o Reino Unido está a sofrer uma “islamização”, que o grupo tenta contrariar através de invasões de mesquitas para distribuir propaganda durante as suas “patrulhas cristãs”.
Foi durante uma dessas patrulhas que Jayda Fransen ofendeu uma mulher muçulmana que estava vestida com o hijab, em Janeiro de 2016. A vice-presidente do Britain First acabou por ser condenada a pagar uma multa de 2000 libras (2240 euros à taxa actual) a Sumayyah Sharpe, que estava com os seus quatro filhos quando foi ofendida – segundo o tribunal, Fransen disse a Sharpe que ela tinha de usar o hijab para evitar ser violada, porque “os muçulmanos não conseguem controlar os seus impulsos sexuais”, e é por isso que vão para a Europa “violar mulheres um pouco por todo o continente”.
Para além de defender a expulsão de muçulmanos, o grupo advoga também a reintrodução dos enforcamentos em praça pública.
Através da sua conta no Twitter, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, já condenou a partilha dos vídeos por Donald Trump, referindo-se a eles como “aberrantes, perigosos e um perigo para a sociedade”. Corbyn exigiu ainda que essas partilhas sejam condenadas pelo Governo de Theresa May: “Espero que o nosso Governo condene os rtweets de extrema-direita de Donald Trump.”
A vice-presidente do Britain First ficou entusiasmada com o facto de o Presidente norte-americano ter partilhado os vídeos e escreveu uma mensagem toda em letras maiúsculas.
“O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS, DONALD TRUMP, PARTILHOU TRÊS DOS VÍDEOS PUBLICADOS NO TWITTER PELA VICE-PRESIDENTE, JAYDA FRANSEN! O PRÓPRIO DONALD TRUMP PARTILHOU ESTES VÍDEOS E ELE TEM CERCA DE 44 MILHÕES DE SEGUIDORES! DEUS O ABENÇOE, TRUMP! DEUS ABENÇOE A AMÉRICA!”, numa mensagem que termina com a saudação do Britain First: “OCS" (Onward Christian Soldiers, ou Em Frente Soldados Cristãos).
Antes de o Presidente dos Estados Unidos ter partilhado os três vídeos, a conta do Britain First no Twitter tinha pouco mais de 24 mil seguidores e a conta de Jayden Fransen chegava aos 50 mil.