Quénia: Denunciadas violações, até da polícia, durante período eleitoral
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A organização Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje numerosas violações cometidas no Quénia, nomeadamente pelas forças de segurança, durante perto de quatro meses após a eleição presidencial de agosto que foi invalidada pela justiça.
(last modified 2018-08-22T11:03:11+00:00 )
Dez. 14, 2017 17:07 UTC
  • Quénia: Denunciadas violações, até da polícia, durante período eleitoral

A organização Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje numerosas violações cometidas no Quénia, nomeadamente pelas forças de segurança, durante perto de quatro meses após a eleição presidencial de agosto que foi invalidada pela justiça.

"Cerca de metade das mulheres interrogadas disseram ter sido violadas por polícias ou homens de uniforme", indicou a organização de defesa dos direitos humanos num relatório.

A HRW entrevistou 65 mulheres, três menores e três homens alvo de diferentes tipos de agressões sexuais.

"Outros sobreviventes disseram ter sido violados por civis", disse a organização, salientando que a finalidade do seu relatório não é estabelecer uma lista exaustiva de casos de violência sexual, mas ilustrar a triste tendência com alguns exemplos documentados em detalhe.

Metade das violações denunciadas são violações coletivas, adiantou a HRW, segundo a qual "numerosos ataques foram acompanhados de tortura e de violência física".

"Os atacantes também violentaram as crianças ou os maridos das mulheres em alguns ataques", precisou, sublinhando que "as recentes eleições quenianas foram marcadas por violência e graves violações dos direitos humanos, sobretudo nos bastiões da oposição", no oeste do país, nos bairros da lata de Nairobi e na costa do Quénia.

Segundo uma contagem da agência France Presse, pelo menos 58 pessoas foram mortas entre 8 de agosto e o final de novembro em violências relacionadas com o processo eleitoral, sobretudo durante a repressão de manifestações da oposição pela polícia.

A HRW lamentou hoje a impunidade das forças de segurança e apelou ao governo para investigar seriamente os crimes alegadamente cometidos.

A reeleição do presidente Uhuru Kenyatta a 8 de agosto foi anulada, mas o opositor Raila Odinga boicotou o novo escrutínio, a 26 de outubro, que deu a vitória ao chefe de Estado cessante com 98% dos votos.

Odinga continua a contestar a legalidade e legitimidade da vitória de Kenyatta.