Out. 08, 2016 04:48 UTC
  • Violação dos direitos humanos no Ocidente de ilusão à realidade

O jornal britânico The Guardian, através de um relatório que publicou recentemente, acusou o governo da Arábia Saudita de atacar e matar deliberadamente os civis iemenitas. Estatísticas de diferentes órgãos, como a ONU, e as informações recolhidas das fontes confiáveis pelo The Guardian destacam que mais de um terço de todos os ataques aéreas sauditas ao Iêmen atingiram instalações civis.

Neste relatório são examinados mais de nove mil missões de bombardeios sauditas lançados do céu de Iêmen durante 2015 e se anexam documentos para concluir que têm sido alvos de ataque mais de 3.600 lugares civis, incluindo edifícios das escolas, hospitais, mercados, mesquitas e infra-estruturas economicas.

Após os ataques implacáveis ​​da Arábia Saudita contra pessoas inocentes iemenitas, Ban Ki-moon, quem está perto de terminar o seu mandato como Secretário-Geral da ONU e que recentemente havia retirado o nome da coalizão Árabe, liderada pela Arábia Saudita da lista das partes responsáveis ​​pela morte de crianças, pela sua atuação no Iêmen, desta vez condenou os ataques das aeronaves do combate sauditas contra o porto de Hodeidah e o assassinato de mulheres e crianças indefesas no Iêmen. O secretário-geral das Nações Unidas, em um comunicado divulgado por esse motivo, escreveu, "mais uma vez, anuncio a todas as partes envolvidas no conflito no Iêmen que devem respeitar e cumprir as suas obrigações em virtude do direito internacional". Também no mesmo comunicado, Ban exigiu a proteção imediata dos civis e infra-estruturas civis no Iêmen. Segundo relatos da mídia, o recente ataque da Arábia Saudita contra o porto iemenita de Hodeidah, deixou pelo menos 25 pessoas mortas e 70 feridas.

O que é evidente na guerra cruel e injusto no Iêmen é a matança de crianças e mulher inocente e indefesa nas mãos do regime de Al Saud. No entanto, o que foi revelado, além da natureza hipócrita dos falsos protetores dos direitos humanos, é o apoio incontestável de alguns governos ocidentais na perpetração desses assassinatos brutais. Entre esses Estados, o apoio óbvio e evidente do governo britânico e a sua cooperação no assassinato de pessoas indefesas e oprimidos no Iêmen, inclusive tem provocado a ira de muitos ativistas de direitos humanos no mesmo país europeu.

Estes apoios são estendidos de tal forma que o governo britânico ainda impediu a União Europeia (UE) fazer uma investigação independente sobre a morte de civis na guerra no Iêmen. Segundo o site do jornal britânico The Guardian, a proposta para este estudo veio dos Países Baixos, a fim de apresentar os resultados ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, cuja missão é investigar crimes de guerra da Arábia Saudita no Iêmen. No âmbito desta iniciativa, estava previsto que uma equipe de especialistas fosse enviado ao Iêmen para analisar no terreno a situação dos civis e dos casos de violação dos direitos humanos no país árabe. No entanto, o Reino Unido pôs obstáculos à realização desta investigação.

O chanceler britânico, Boris Johnson, disse que tal investigação não era necessária. Johnson acredita que as fontes de informação sobre o que está acontecendo no Iêmen estão disponíveis e este estudo é desnecessário.  A medida de Londres provocou críticas por parte de organizações de direitos humanos e o aumento da preocupação com as contínuas atrocidades contra civis no Iêmen.

Como consequência da sabotagem do governo britânico, organizações como a Anistia Internacional (AI) e Human Rights Watch (HRW) pediram em uma carta aberta ao Conselho de Direitos Humanos da ONU a abrir uma investigação internacional sobre possíveis crimes de guerra no Iêmen, o que incluiria s morte de civis, como consequência de ataques aéreos realizados pela coalizão liderada por Arábia Saudita. Eles exigiram a realizar de um estudo internacional "para ajudar a identificar a realidade, assim como recolher e especificar os dados sobre a violação dos direitos humanos" no Iêmen.

O Diretor-adjunto do Programa Regional para Ásia-Pacífico da Anistia Internacional, Polly Truscott disse: "prejudicar os esforços para a realização de uma investigação internacional, se qualifica como uma traição ao povo do Iêmen que tanto sofreu neste conflito." Em relação à posição de Londres ele afirma: "Este (posição) é impactante. O Reino Unido deve tomar o lado da justiça e não deve ser uma encorajadora para as empresas armamentistas.".

Andrew Smith, da ONG Luta contra o comercio de armas, indicou que o Exercito britânico destruiu o Iêmen nos últimos 18 meses. Em cinco de setembro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, em uma sessão parlamentar, argumentou que pudesse retomar a venda de armas à Arábia Saudita porque não havia provas conclusivas de que as normas internacionais de direitos humanos haviam sido violadas ou não no Iêmen.

Passado um ano e meio da agressão astúcia da Arábia Saudita contra o Iêmen, cerca de 10 mil iemenitas, incluindo mulheres e crianças, perderam suas vidas. Os caças de Riad bombardearam constantemente escolas, hospitais, áreas residenciais, estradas, mercados e campos de refugiados no Iêmen. Além disso, a Anistia Internacional, anteriormente, tinha avisado que no norte do Iêmen, Arábia Saudita e outros países aliados tinham usado as proibidas bombas de fragmentação, da fabricação norte-americana, britânica e brasileira.

Os relatórios revelam que o Reino Unido desde o início da guerra na Arábia Saudita contra o Iêmen (entre o final de março e início de abril de 2015) emitiu licenças para vender armas à Arábia Saudita no valor de três bilhões de libras. De acordo com os números oficiais da Campanha Contra o Comércio de Armas, a Arábia Saudita é o maior comprador de armas britânicas com um valor cumulado de 6 bilhões e 700 milhões de libras desde 2010.

As estatísticas mostram que o Reino Unido desde o início da guerra no Iêmen, emitiu certificados de exportação de 3,3 milhões de libras (igual a 4,3 bilhões de dólares) em armas para a Arábia Saudita. O governo britânico entre abril de 2015 a março 2016 autorizou os contratos de venda de armas a Riad no valor de 2,2 bilhões de libras, incluindo aviões não tripulados, helicópteros e outro equipamento de aviação.

Conforme o jornal britânico The Teleghraf, a Arábia Saudita em sua guerra contra o Iêmen,  tem um enorme arsenal, incluindo tal número de aviões de guerra fabricados  na Inglaterra que até ultrapassa o número de aviões de combate britânicos prontos para missões militares imediatas. De acordo com o mesmo relatório, diariamente cerca de 100 combatentes estrangeiros estão a participar na guerra do Iêmen, incluindo 50 caças britânicos.

Depois de que os meios de comunicações publicaram a notícia das vendas de armas britânicas para a Arábia Saudita, grupos e ativistas de direitos humanos expressaram a sua oposição. Posteriormente, parlamentares britânicos tinham manifestado a sua preocupação sobre o assunto e interpelaram os ministros do governo, para prestar contas, e a formado de duas comissões, a fim de cessar a venda de armas para a Arábia Saudita. No entanto, o governo britânico declarou que não deve parar de venda de armas à Arábia Saudita porque, em sua opinião, Riad não violou qualquer regra de direito internacional.

É evidente que o Governo britânico apenas por seus interesses econômicos, e apesar das preocupações crescentes sobre crimes de guerra sauditas no Iêmen, resiste à redução ou parar de vender armas a Riad. Mas o caso mais controverso é a presença de peritos militares britânicos e consultores na sede do governo saudita. No entanto, o ministro da Defesa britânico não deu detalhes sobre a presença de conselheiros militares do país europeu nos ataques aéreos sauditas contra a nação iemenita.

Agora surge a pergunta: o que esses assessores militares britânicos fazem exatamente na sede do governo saudita? A este respeito, o porta-voz do Ministério da Defesa disse: "Nossos conselheiros militares não desempenham qualquer papel na execução de operações ou designar os objetivos. Eles apenas, de acordo com o direito internacional, fornecem recomendações necessárias para os sauditas".