Violação dos direitos humanos no Ocidente de ilusão à realidade-10 (2017)
O estudo da situação das minorias, especialmente os muçulmanos nos países ocidentais indica um claro aumento em crimes de ódio e discriminação com base nas profundas divisões entre os cidadãos dos países da região. Estas são algumas das questões mais importantes que temos discutido em abril. Fique conosco.
Os crimes de ódio e violência motivados por temas religiosos e racistas podem ser praticados de várias formas, tais como ataques físicos, intimidação, assédio, danos à propriedade, abuso verbal e obscenidades, slogans escritos na parede e enviar e-mails com conteúdo agressivo.
Segundo um relatório de polícia de Londres, um refugiado adolescente foi alvo de um ataque de um grupo de jovens na capital britânica. Ele sofreu uma fratura no crânio e agora está em estado crítico. O incidente teve lugar no dia dois de abril na região Croydon no sul de Londres. Este ataque é uma medida racista e proveniente do ódio afirmou o porta-voz da policia de Londres, Chris Belamires.
A policia diz em seu relatório que o jovem, de 17 anos, estava pela noite, esperando no ponto de ônibus com dois amigos quando foi abordado por oito jovens, que lhe perguntaram de onde ele veio. Quando respondeu que era um requerente de asilo, o grupo lhe atacou e deu-lhe uma surra impiedosamente. O jovem sofreu ferimentos graves na cabeça, enquanto seus dois companheiros conseguiram escapar, embora ficassem levemente feridos.
"A vítima sofreu ferimentos na cabeça e no rosto, como resultado deste ataque, que incluiu repetido golpes na cabeça por um grande grupo de atacantes. Várias pessoas tentaram socorrer a vítima enquanto estava inconsciente e ferido pelo ataque”, disse o porta-voz da polícia, que solicitou a cooperação dos cidadãos.
O deputado do Partido Trabalhista no Parlamento e Ministro de Estado no Reino Unido, Diane Abbot, disse: "O governo não tem tomado medidas necessárias para lidar com tais ataques (...) devemos ressaltar que na nossa comunidade não há lugar para o ódio, racismo e xenofobia”. De acordo com a polícia britânica, o país enfrenta uma intensificação repentina da taxa de criminalidade, como consequência provável da redução do orçamento do Estado nos últimos anos. Após anos de declínio das taxas de crimes relacionados com armas brancas e de fogo, a polícia relatou um aumento acentuado no crime. Delitos relacionados com armas nos últimos 12 meses aumentaram 42 por cento e os relacionados com usou de facas, em 24 por cento. Relatórios do Ministério do Interior do Reino Unido indicam que crimes baseados no ódio aumentaram mais de 40 por cento após o referendo no ano passado que disse sim para a saída do Reino Unido da União Europeia, conhecido como "Brexit" .
No entanto, em março, algumas organizações de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, têm alertado para o aumento considerável de crimes de ódio em Londres desde o ano passado e ainda mais após a Brexit.
Segundo as estatísticas, o número de casos de discriminação religiosa registrou um aumento de quase 20 por cento, passando de 14.004 para 16.618 casos no ano passado.
De acordo com grupos de direitos humanos, em particular a situação no Reino Unido é relacionado com o plano de seu divórcio da União Europeia e a "literatura venenosa" que foi usado durante a campanha do referendo. A Amnistia Internacional acredita que o uso da literatura discriminatória no Reino Unido tem sido sem precedentes nas últimas décadas. O diretor para assuntos de exploração da Anistia Internacional, Maskojry Kerry disse: "Se essa estatística fosse verdade, seria muito preocupante a dinâmica política discriminatória do verão passado que tinha autorizado a expressar opiniões discriminatórias. Portanto, é necessário que o sistema político em uma forma de unanimidade tomar uma posição firme para rejeitar a retorica discriminatória".
Ele acrescentou que "finalmente, Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos por slogans eleitorais divisíveis e às vezes tóxicos. Isso mostra que as discussões políticas nos Estados Unidos e no Reino Unido estão fortemente ligadas à xenofobia".
Certamente as declarações extremistas de funcionários do governo, tem influenciado o aumento dos crimes baseados no ódio.
No entanto, em recentes declarações contra as minorias na Europa, o ministro das Finanças da Alemanha disse que os imigrantes muçulmanos que não estão dispostos a aceitar os valores europeus, devem abandonar e sair dos países membros da União Europeia. O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, incentivou os muçulmanos que têm chegado a Europa na última onda migratória, causadas por conflitos armados no Oriente Médio e Norte da África, e aqueles que não gostam do estilo de vida europeu, para ir para outro lugar.
Como parte de um simpósio realizado na quarta-feira 19 abril, em Berlim, Schaeuble considerou que os imigrantes muçulmanos que não conseguem se adaptar ao novo ambiente devem assumir que "tivessem tomado a decisão errada.”.
"Há melhores lugares do mundo para se viver sob a lei islâmica que a Europa" salientou. Schaeuble foi considerado um aliado da chanceler alemã Ángela Merkel que já havia dito que o afluxo de refugiados no país foi "um desafio para os intelectuais no seio da sociedade." Este político de 74 anos, em um artigo para o jornal "Welt am Sonntag", pediu aos muçulmanos recém-chegados a adotar o que ele chamou de "Islam alemão", baseado no liberalismo e tolerância.
Na Áustria, os novos relatórios indicam crescentes ataques a muçulmanos que vivem no país europeu desde o ano passado. Segundo a agência de notícias turca Anatoli, o ataque contra os muçulmanos na Áustria, em comparação a 2015 registou um aumento de 62 por cento em 2016. Da mesma forma, o Centro de Documentos e Conselhos dos muçulmanos relatou que em 2015 registrou 156 ataques a muçulmanos e em 2016 este número chegou a 253.
Neste relatório, as mulheres muçulmanas foram objeto da maioria destes ataques. O ponto interessante é que mais de metade desses ataques foram feitos em transportes públicos ou outros locais públicos. Este documento lê-se que 31 por cento destes ataques foram por escrito ou verbalmente, 30 por cento corresponde ao discurso de ódio, de 12 por cento a ataques a institutos muçulmanos e 5 por cento a ataques físicos contra muçulmanos.
A Áustria tem uma população de cerca de 9 milhões de pessoas, este número 600 mil são muçulmanos, a maioria de origem turca.
Violência e ódio contra os muçulmanos e outras minorias no Ocidente estão cada vez mais crescentes. Em meados de abril, um juiz muçulmano foi vítima de um assassinato suspeito.
A destacada advogada preta, Sheila Abdus-Salaam, que se tornou a primeira mulher muçulmana em desempenhar-se como um juiz nos Estados Unidos, foi encontrado morta no rio Hudson, em Nova York, disse uma fonte policial.
De 65 anos e juíza adjunta da Corte Superior, em Nova York, o corpo Abdus-Salaam foi encontrado, mergulhando na margem oeste de Manhattan, segundo um porta-voz da polícia. As autoridades policiais dizem que não viram nenhum sinal claro de feridas no corpo desta mulher negra. Em 2013, Abdus-Salaam foi nomeada pelo governador de Nova York Andrew M. Cuomo para preencher a vaga do Tribunal de Apelações de Nova York.
O jornal New York Post citou fontes que indicam que a falecida desapareceu no início quarta-feira e esforços para encontrar sua família foram infrutíferas.
“A Juiza Sheila Abdus-La Salaam foi advogada pioneira e uma força positiva”. Em nome de todos os nova-iorquinos, estendo minhas mais profundas condolências "escreveu em sua conta no Twitter o Governador Andrew Cuomo, que a nomeou para o cargo na corte de apelações." Através de seus escritos, seu conhecimento e sua bússola inabalável moral, foi uma força do bem cujo legado será sentido por muitos anos “disse Cuomo”.
O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, também disse que lamenta a trágica de perda desta juiza que realizou esta “pioneira humilde".
As autoridades não descartam a possibilidade de que se trata de um crime de ódio. Em Nova York, há alguns meses, um Orador de oração muçulmano e o seu assistente foram mortos a tiros perto de uma mesquita. De acordo com o pesquisador em matéria de crime de ódio, Brayan Levin, tais crimes tem registrado no ano passado um aumento de pelo menos 20 por cento em nove grandes áreas metropolitanas dos EUA, um dos quais é Nova York. Levin acredita que slogans discriminatórias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm um papel importante no aumento dessa taxa.
Os que se estudam os estados das minorias, especialmente dos muçulmanos nos países ocidentais, indicam a relação entre o aumento de crimes baseados no ódio e fosso profundo entre os cidadãos dos países ocidentais.
O que está claro é que as minorias que vivem nas sociedades ocidentais são agora muito preocupadas em proteger suas vidas e segurança pública, enquanto nos termos do artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e os direitos e os governos são obrigados a fornecê-los.
Os políticos extremistas tem que saber que a insegurança e aumento da violência contra um grupo minoritário provoca distúrbios e, finalmente, cria condições difíceis para todos os cidadãos. Portanto, em vez de gritar slogans bonitos e traiçoeiros sobre os direitos humanos e incitar os grupos raciais e extremistas, devem tentar implementar o mais básico como o princípio da liberdade religiosa e de expressão princípios humanos.