Mar. 13, 2016 18:04 UTC
  • A violação de direitos humanos no Ocidente, da ilusão à realidade

Neste programa, vamos tratar a questão da violência contra as mulheres no Ocidente.

Um dos casos da violação dos direitos humanos que se manifesta no Ocidente, é a situação das mulheres nestas sociedades. Todos os anos no Dia Internacional da Mulher, as mulheres dos países ocidentais saem às ruas para conclamar pela oportunidade e os mesmos direitos iguais aos homens, mas isso não deu resultado definitivo até agora, no entanto, as decisões tomadas pelos políticos nesses países, tem aumentado ainda a discriminação contra as mulheres.

Este ano, foi celebrado o Dia Internacional da Mulher em oito de março, enquanto se observa que as mulheres nas sociedades ocidentais continuam encarando a injustiça, a discriminação e a falta de igualdade em seus direitos. Geralmente, nestas sociedades, as mulheres são constantemente discriminadas no emprego, remuneração, o comportamento inadequado no trabalho, violência sexual e outros tipos de agressões.

Sem dúvida, violência e assédio sexual contra mulheres como um dos tipos da anomalia social, são fatores importantes que perturbam a segurança cultural, criando desordem social e por isso os diversos sistemas jurídicos têm adotado medidas especiais de controle, enfrentamento e erradicação dessas violências.

Agressão contra as mulheres são um tipo de epidemia universal que silenciosamente, está avançada e todas as nações, mais ou menos, estão afetadas e mulheres nas sociedades ocidentais também não são excluídas desta violência.

Por exemplo, números do instituto de pesquisa YouGov mostram que a maioria das jovens inglesas já foram assediadas sexualmente em locais públicos. A pesquisa, encomendada pela Coalisão para o Fim da Violência contra a Mulher mostra que 85% das mulheres entre 18 a 24 anos já foram perseguidas, com 45% tendo sofrido toques indesejados.

Quando somadas todas as idades, o número chega a 64 e 35%, respectivamente. De acordo com o órgão, apenas 11% das mulheres disse ter recebido ajuda de outras pessoas quando foram tocadas contra a vontade.

Sarah Green, diretora do 'End Violence Against Women Coalition', disse que as mulheres não estarão livres enquanto planejarem suas vidas em evitar assédios ou agressões. "O assédio sexual é uma experiência diária que as mulheres e as meninas aprendem a lidar, mas é hora de mudar a história e desafiá-lo".

Buscando uma maior segurança, a maioria das mulheres que saíram à noite no ano passado preferiu voltar para casa com os amigos (61% contra 38% dos homens). Também percorrem um caminho diferente do que seria feito durante o dia (55 % em comparação a 41% dos homens) ou evitaram usar o transporte público e pagaram por um táxi (54%).

Segundo uma pesquisa da Universidade de Cornell e a Campanha ante assédio contra mulheres em espaços públicos, pela qual foram entrevistadas 16 mil mulheres em todo o mundo, os fatos e os números de assédio nas ruas são chocantes. Nesta pesquisa, noventa por cento das mulheres britânicas, anunciaram ter sido entre 11 a 17 anos, vítimas de assédio nas ruas e no espaço publico.

A violência e assédio sexual contra mulheres existiam mesmo em escolas britânicas. De acordo com os resultados de pesquisa de um Instituto de caridade na Inglaterra, ao menos um quinto das mulheres britânicas declarou que durante a escola quando eram meninas tinha experiência de toques indesejados e estas provocações sexuais têm sido frequentes em relação das metades delas.

Instituto de caridade de “Plan uk”, a filiação de Organização Internacional de Caridade de direitos das crianças, que também entrevistou mais de dois mil mulheres na Grã-Bretanha, anunciou que 22 por cento dessas mulheres sofrearam no período de estudo na escola de provocações sexuais indesejadas ou mesmo sendo estupradas. Baseado nos resultados do estudo, cerca de 60 por cento das pessoas que estiveram sob o assédio sexual, não apresentaram ocorrências a entidades competentes.

Lucie Russell, a diretora do Instituto “Plan uk” afirma: “a escola deve ser um espaço de plena segurança. Quando ocorre o assédio sexual nas escolas, será reduzida a habilidade das meninas para aproveitar das oportunidades. Porque o assunto pode ser fortemente afetar a autoconfiança das pessoas. Obviamente este problema, dependendo da ação que se realiza, pode levar a lesões físicas graves, o que significa que talvez elas abandonem a escola. Esse problema pode ser destrutivo ao longo prazo para o desempenho educativo dessas meninas”.

De acordo com este estudo, uma das três mulheres britânicas com idades compreendidas entre 18 a 24 anos, tem afirmado que sofreu de experiência sexual indesejada na escola. Isto é enquanto uma entre 10 mulheres de maior de 65 anos tem experimentado tal assedio. Segundo Russell, a presença de mulheres mais velhas na população examinada neste estudo mostrou que o assédio sexual de estudantes do sexo feminino não é um fenômeno novo na Grã-Bretanha.

Ele acrescenta: “Já tem advertido as meninas que deveriam esperar por tais ações.... e Já tem que lidar com esta questão. Isso significa que nossas mães e avós também não tinham denunciado tais atos. Então você tem uma larga escala de violência e assédio sexual oculto que não foram revelados e denunciados”.

Assedio sexual, é o principal motive de abandono escolar em 66 milhões de meninas em todo o mundo.

De acordo com relatórios de Fundo de Crianças das Nações Unidas (UNISEF), aproximadamente 150 milhões de meninas ao redor do mundo têm sofrido de assédio sexual.

O sociólogo inglês, Anthony Giddens, considera que o assédio sexual contra mulheres no mercado de trabalho é um fenômeno muito comum no Ocidente. Segundo ele, “este fenômeno tem afetado diretamente uma grande parte das mulheres remuneradas. Alias pode afirmar que todas as mulheres podem constantemente ser vítimas de agressões, por isso tem que ter certas precauções para se proteger, elas estão sempre vivendo com medo de assedio sexual”.

De acordo com um relatório da Observaria de Direitos Humanos (Human Rights Watch); muitas das mulheres trabalhadoras, especialmente os imigrantes ilegais nos Estados Unidos, crescentemente, sofrem da violência nos seus diversos aspetos, incluindo estupro. Muitas destas mulheres por medo de perder o emprego ou a sua licença da residência não se dirigiram a policia ou apresentar queixas contra crimes cometidos contra elas. O Estado de Califórnia, como um centro principal laboral feminino para mulheres imigrantes, registra a maior parte da violência de gênero na região.

Os comentários de mulheres trabalhadoras mostram que a maioria tem experimentado pelo menos abuso sexual uma vez no trabalho ou mesmo trabalho intenso e tortuoso pelos empregadores. Elas consideram isto como parte inerente de situações de trabalho na fabrica ou mesmo nas terras agrícolas. Mais de três milhões de mulheres agricultores que trabalham nos campos agrícolas, das quais cerca de 63 mil são imigrantes ilegais.

Punição, estupro e ofensa às mulheres imigrantes, nunca foram denunciados aos órgãos estatutários, não podem ser relatados porque estas pessoas; por motivo da pobreza extrema precisam destes trabalhos e para assegurá-lo suportam tais violências. Assim, muitos representantes do governo, cientes destes atos de violência e situações deploráveis, em troca de receber propina nunca relataram tais situações aos seus superiores e como resultado, esta forma de tratamento, há anos que tem continuado em ambientes de fabricas e industriais. Pesquisas mostram que 80 por cento das mulheres trabalhadores norte-americanas, frequentemente foram assediadas por seus empregadores e pelos seus gerentes. O vazio jurídico no caso de imigrantes, bem como a falta de autoridades de controle em fábricas e terras agrícolas, são principais causas geradoras destas condições.

A violência contra mulheres é um fenômeno pandêmico, encontrado na maioria das raízes culturais, religiosas e étnicas de cada região do mundo. Para resolver esta questão complexa e importante requer uma cooperação internacional.

Em 1979, foi assinada a Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres, incluindo a violência, nas Nações Unidas. Embora os países ocidentais tivessem sido aderidos a esta Convenção, mas ainda se espalha notícias sobre agressões violentos contra mulheres, especialmente na Europa. No entanto, enquanto as mulheres não têm o apoio necessário, para muitas delas no mundo a violência continua a ser uma realidade. Então os políticos ocidentais – os que mais reivindicam plataformas para o acesso das mulheres à igualdade de direitos e liberdade- e os seus órgãos legislativos, jurídicos e de segurança têm, perante o aumento da corrupção social e abuso e violência sexual, o dever de pensar em medidas especiais, adoção de politicas coordenadas e meios eficazes, bem como estudos científicos relativos a inibir e evitar a propagação de tais violências.