Dez. 06, 2017 10:36 UTC
  • Violação dos direitos humanos no Ocidente, da ilusão à realidade (36-2017).

Neste programa, analisaremos o tremendo crescimento da pobreza entre os menores alemães.

A pobreza é uma palavra familiar e sua existência em qualquer sociedade é perturbadora e dolorosa. Os narrativos e as leis islâmicas também consideram a pobreza como um fenômeno nefasto e insistem na necessidade de sua eliminação. A pobreza existe mais ou menos em todos os países do mundo. O empoderamento econômico de todas as classes de uma sociedade parece ser uma espécie de idealismo. A eliminação da pobreza, especialmente para as crianças, é um dos objetivos do plano de desenvolvimento sustentável. Conforme o artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o acesso a alimentos, roupas, habitação e serviços sociais e de saúde adequados é um direito fundamental para todos os seres humanos.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), quase 20% das crianças pobres vivem em países em desenvolvimento. Mas o interessante é que, infelizmente, mesmo nos países europeus avançados e ricos, existe pobreza e o ponto oposto da economia capitalista são os grupos pobres que se enfraquecem sob a sombra do capitalismo e da arrogância. Segundo relatos, 4 milhões de crianças britânicas vivem na pobreza.

O relatório da UNICEF indica uma alta porcentagem de pobreza infantil nos países desenvolvidos. A Alemanha é um dos primeiros países onde se observam crianças pobres. A pobreza infantil nos Estados Unidos também está acima da média mundial. O relatório da UNICEF menciona também vários fatores que contribuem para o bem-estar das crianças, educação e segurança alimentar, entre outros fatores. Em média, uma oitava das crianças que vivem em países desenvolvidos enfrenta desnutrição. A taxa de pobreza infantil nos Estados Unidos e no Reino Unido é ainda maior que a cada cinco crianças, uma vive na pobreza. Isso é enquanto, no México e no Peru, essa proporção é uma em cada três. Além disso, o UNICEF advertiu que mesmo os países que gozam de um bom sistema educacional estão em risco. Por exemplo, na Finlândia e no Japão, países com o melhor sistema educacional, um quinto dos jovens de 15 anos não possui as mínimas capacidades como ler e escrever.

Agora, vamos ouvir as palavras do Sr. Morteza Makki, especialista em assuntos europeus.

As imagens da pobreza e desigualdade que existem nas mentes das pessoas e dos nossos ouvintes nos recordam à inadequada situação econômica e social nos países pobres e em desenvolvimento em África, América Latina e Ásia. Mas o outro lado da moeda é pobreza e desigualdade nos países desenvolvidos da Europa e da América do Norte. Hoje em dia, as notícias falam sobre o sucesso dos governos europeus na superação da crise financeira e econômica e se posicionam no caminho do crescimento econômico. Mas essa prosperidade econômica tampouco reflete a realidade das sociedades europeias desenvolvidas. Bem, juntamente com esse crescimento econômico, a pobreza cresce também na Europa.

De fato, as políticas de austeridade econômica adotadas pelos governos europeus para reduzir déficits e dívidas públicas a fim de sair da recessão terminaram em que milhões de pessoas vivam abaixo da linha de pobreza. Segundo as estatísticas das instituições europeias credenciadas, a cada quatro europeu, um tem experimentado um rendimento baixo da linha de pobreza, a exclusão social pela provisão de suas necessidades básicas ou a destituição do trabalho. As mulheres e crianças estão entre os grupos mais vulneráveis ​​que enfrentam a pobreza. Quando olhamos para os cidadãos dos países europeus como observadores, é muito difícil aceitar que a pobreza ameaça um em cada quatro cidadãos europeus.

De acordo com os números, 122 milhões de pessoas nos países da União Europeia vivem abaixo da linha de pobreza. No entanto, quando se fala sobre a pobreza na Europa, não deve ser comparado com os pobres dos países africanos ou asiáticos. Para os pobres europeus, existem possibilidades mínimas para sobreviver. Tendo em conta a quantidade de capital de giro nos países desenvolvidos na Europa, a pobreza neste continente é considerada uma profunda desigualdade econômica e social.

A pobreza nos países desenvolvidos é lamentável. Se as crianças sofrem de pobreza é muito preocupante porque as crianças são vulneráveis ​​e requerem apoio e atenção.

Apesar da crescente sensação de prosperidade na maior economia da Europa, aumenta número de crianças e adolescentes que dependem de ajuda social no país. Mais afetados são filhos de mães e pais solteiros. A pobreza infantil na Alemanha aumentou nos últimos cinco anos, de acordo com relatório divulgado pela Fundação Bertelsmann. Quase 2 milhões de crianças vivem na pobreza na Alemanha. Os novos relatórios sobre a pobreza entre as crianças alemãs são chocantes. Segundo o Departamento de Estatísticas Federais da Alemanha, no ano passado, de cada cinco crianças menores de 18 anos neste país, um (20,2%) estava em risco de pobreza.

Esta é a maior percentagem de pobreza infantil desde 2005. Em 2015, 19,7 por cento das crianças e adolescentes estavam em risco de pobreza na Alemanha. Na Alemanha, as famílias com uma renda inferior a 60% da renda média familiar estão em risco de pobreza. No ano passado, a maior taxa de pobreza existiu, em ordem, em Bremen (22,6%), na Saxônia-Anhalt com 21,4% e em Mecklenburg-Vorpommern com 20,4%.

Além disso, segundo a pesquisa do Instituto Bertelsmann, quase um quinto das crianças alemãs passa mais de cinco anos de vida na pobreza. De acordo com George Druger, um dos membros do conselho executivo do referido instituto, a pobreza para crianças na Alemanha é uma situação larga e quem se encontra por abaixo da linha de pobreza, se permanecerá nesta situação por um longo período e há poucas famílias que podem ser salvas dessa situação.

Atualmente, 12,5 milhões de pessoas na Alemanha vivem abaixo da linha de pobreza, que é considerada um recorde de pobreza desde a unificação da Alemanha há 25 anos. Curiosamente, Berlim, a capital e o motor da economia da zona do euro, é uma das áreas mais pobres da zona do euro. Essas estatísticas foram publicadas pelas organizações alemãs de assistência social.

Na Alemanha, a linha de pobreza foi definida como € 892 por mês para cada pessoa e € 1873 para uma família de quatro pessoas. De acordo com as estatísticas, Berlim, ao abrigar uma população pobre de 21,4 por cento, é considerada a cidade mais pobre da Alemanha, enquanto o estado da Baviera, com uma população pobre de 11,3 por cento, é considerado a cidade mais rica da Alemanha.

A este respeito, Ulrich Schneider, diretor da Associação Alemã de Bem-Estar social, diz: a pobreza na Alemanha não é considerada um problema apenas econômico, mas o deriva de negligência política e essa é a única causa da pobreza que pode ser claramente anunciada. Nós, como o quinto país mais rico do mundo, tivemos a oportunidade de lutar contra a pobreza, mas, como parece, no momento do florescimento, enfrentamos um sério problema na divisão de fontes. Os ativistas trabalharam arduamente para chamar a atenção pública ao caso da desigualdade no quinto país mais rico do mundo. O Instituto Bertelsmann estudou a situação de pobreza na Alemanha de 2011 a 2015. A pesquisa trata das facilidades em que as crianças pobres são privadas e citando George Dreaver escreve: a futura política social deve colocar o processo de transferência da pobreza de uma geração para a outra.

As crianças não podem ser salvas da pobreza. Eles têm o direito de ter uma boa vida que lhes dê igualdade de oportunidades e condições de crescimento. Portanto, os políticos não devem tratar crianças como adultos.

Heinz Hilgers, o presidente da Associação para a Proteção da Criança e da Juventude na Alemanha, pediu ao futuro governo da Alemanha que adote uma postura mais amistosa em relação aos menores de idade. Ele descreveu como vergonhosa a taxa de pobreza infantil na Alemanha.

Em relação ao recente relatório da Bertelsmann sobre a duração do período de pobreza para crianças, Hilgers disse que o ponto notável é que esta questão foi revista e investigada pela primeira vez. No entanto, o fato de que uma parte das vítimas da pobreza fosse menor, é uma realidade amarga que conhecemos há muitos anos e nossos colegas de diferentes institutos sempre relataram isso. Esta prova da pobreza na Alemanha pertence não apenas à "grande coalizão", mas aos governos anteriores. Nenhum dos governos tomou em serio o caso da pobreza infantil.

Em seguida, Hilgers fala sobre o futuro governo da Alemanha: nos programas eleitorais dos partidos, há um plano que acredita que a melhor opção para salvar as crianças da pobreza é criar empregos para seus pais. Mas, a verdade é que de quase 2,7 milhões de crianças pobres, quase um milhão vivem em uma família cujos pais trabalham o dia inteiro, mas não ganham o suficiente para atender as necessidades de seus filhos. Então, tem que mudar muitas coisas. Precisamos reduzir os impostos para as famílias de baixa renda com filhos.

O relatório também mostra que a República Federal da Alemanha está na pior posição entre os países da UE em termos de distribuição desigual da riqueza.

Na última década, a pobreza também se expandiu em outros países europeus, como a Grécia, a Espanha e a França. As taxas de pobreza variam em diferentes sociedades, mas a evidência mostra que a pobreza é um fenômeno global e sua erradicação em diferentes sociedades enfrenta muitos obstáculos.

A comunidade internacional ainda não conseguiu oferecer soluções adequadas e eficazes para reduzir a pobreza no mundo. Alguns especialistas acreditam que a pobreza é, de fato, uma crise dos direitos humanos porque a pobreza é à base da discriminação racial, da repressão governamental, da corrupção, da insegurança e da violência. Portanto, a erradicação da pobreza não só não será alcançada através do aumento da renda, como prestar atenção aos direitos humanos prepara o terreno para erradicar a pobreza. Esta é uma questão ignorada nos programas internacionais para erradicar a pobreza.