Jun. 19, 2016 10:30 UTC

Neste artigo seguimos nossa visita virtual à província de Isfahán e conhecemos uma das suas ciudades que se chama Kashan.

A cidade de Kashan, situada no centro do Irã, delimita-se ao norte com o deserto central do Irã, ao sul com a cidade de Isfahán, ao este e ao nordeste com a cidade de Ardestan e ao oeste com as cidades de Mahalat e Golpaegan.

A etimologia do nome da cidade vem da palavra persa Kashi , o que significa  telha. Kashan é o primeiro de uma série de grande oásis ao longo da estrada de Qum para Kerman , à beira do deserto central do Irã. Seu charme é assim devido, principalmente, ao contraste entre as extensões áridas do deserto e oásis verde.

Kashan é uma das mais antigas cidades da planalta do Irã. Uma parte desta  cidade situada no deserto e a outra montanhosa, a mil metros de altura sobre o nível do mar.

A parte desertica da cidade faz calor no verão e na região montanhosa, o clima é fresca e agradável. Nesta região, usam-se as águas subterrâneas para a agricultura, por isso , é muito frequente ver poços de água.

Os achados arqueoligicos nas colinas de Sialk que é cerca de 4 km a oeste de Kashan revelam que esta região foi um dos primeiros centros de civilização na era pré-histórica . Portanto, Kashan remonta ao período elamita do Irã. O Zigurate de Sialk ainda hoje nos subúrbios de Kashan, após 7.000 anos,  mostra que Kashan é uma cidade histórica de mais de sete mil anos da idade. Antes da chegada dos airanos e espalhar a sua civilização nesta região, tinha existido uma civilização chamada Sialk, a qual foi a primeira civilização urbana no centro do Irã, considerada um dos mais antigas civilizações humanas, isto é, o primeiro lugar onde se formou uma urbanização.

Um dos vestigios desta civilização brilhante,  são colinas de Sialk ou “Tappeh” em lingua local, localizadas a 4 km do oeste de Kashan. No ano 1931, estas colinas foram registarados na lista dos patrimonios históricos nacionais do Irã.

Os prestigiados tapetes manuais de Kashan e das cidades vizinhas, os monumentos luxuosos, os importantes artesanatos desta cidade e seu antecedente histórico de 7 mil anos, tudo isto faz com que muitos historiadores e turistas denominam esta cidade a Porta de Civilização do Mundo. Kashan como outras cidades do Irã, tem uma longa história e tem sofrido muitos altas e baixas. No século XI, quando a dinastía Saljughian tomou o poder no Irã, Kashan,  pelo crescimento em todos os aspectos desde económicos, culturais, sociais, políticos e artísticas ganhou certa relevancia. Também nesta época a cidade marcou um alto desenvolvimento e foram construidas variadas  obras e monumentos, tais como mesquitas, colégios, bibliotecas entre outras. Um dos mais importantes monumentos, que nesta época, foi a mesquita de Kashan, a qual tem uma cúpula de tijolo e um minarete decorado com uma inscrição com caligrafía em árabe chamado Kufi que corresponde ao ano 466 da hégira lunar.

Os depoimentos históricos indicam que a queda da cidade de Kashan ocorreu no século XIII e na época da dinastía de IlKhan Mongol, data que coindice com a devastadora invasão de Gengis Khan ao Irã. Kashan, como  outras muitas cidades de Persia, sofreu muitos danos.

No entanto, na época de Safavida, isto é, no final do século XV e no inicio do XVIII, a cidade se avançou de novo em todos os aspectos e ganhou muita fama.

Os turistas que viajaram nessa época ao Irã, elogiaram, Kashan  era considerada a segunda cidade mais posicionda do Irã logo a seguir da Isfahan,  devido a sua glória e a sua riqueza. Tecelagem da Kashan sempre foi apreciada por turistas estrangeiros, a qual demonstra o avanço da indústria e a arte de tecelagem no período de Safavida. Neste espeito, o turista francês Tavernier descreveu a Kashan na sua roteira a seguinte maneira:

"Um grande número dos industriais que fazem tecidos de seda em kashan trabalham estupendamente, e os tecidos que fazem de fios de ouro e de prata são os melhores do Irã."

Também, o turista e iranólogo francês Chardon fala assim da Kashan:

 

"A riqueza do povo de Kashan está baseada nas indústrias têxteis como tecer a seda e fazer tecidos de ouro e de prata. Em nenhuma parte do Irã, existe dita indústria semlhante a Kashan."

Em Kashan, como outras cidades do Irã, desde tempos remotos, é frequente a arte de tapeçária, cujos tapetes destacam–se  entre os demais tapetes do Irã devido a seus desenhos e ores. Na época de Safavida, nos séculos XVI e XVII, os desenhadores de tapete esboçavam atraentes desenhos cujas originalidades eram exclusivas.

Nesta mesma época, em Kashan e seus arredores, era frequente a tapeçária de tal maneira que, o viajante veneciano Marco Pólo, no sua roteira de viagem, além dos tecidos de veludo e de ouro desta cidade, também expressou sua apreciação pelos lindos desenhos dos tapetes de Kashan.

O professor e iranologo Epham Yop, em seu livro chamado "A maravilhosa arte persa" descreve que os tapetes de Kashan são um dos melhores e mais evoluídos tecidos da seda. Também agrega que na metade do século XVI, as oficinas de tapeçária em Kashan teceram tapetes pequenos e grandes que devido à arte, desenho e cores, brilhavam como um veludo.

Os grandes artesões de tapetes no mundo têm elegido sete tapetes persas como as melhores, entre umas duzentas antigas e famosos tapetes do mundo, das quais quatro têm sido tecidas em Kashan.

Uma das mais famosas desses tapetes é conhecida como Ardebil que atualmente se conserva no museu de Victoria e Albert em Londres. Do ponto de vista do desenho e a minuciosidade, o tapete de Ardebil é uma das mais valiosas do mundo. Também do ponto de vista histórico é um dos importantes documentos, porque conta com a assinatura e a data da obra, a qual indica que foi tecida na cidade de Kashan.

Hoje em dia, ainda os tapetes caseiros de Kashan, que também se exportam, têm muitos interessados dentro e fora do Irã.