Jul. 26, 2016 17:17 UTC
  • Violação dos direitos humanos no Ocidente, de ilusão à realidade

A ocupação do Iraque foi polemica em seu tempo porque foi realizada sem um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Afirmando que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, foi um argumento para ocupar o Iraque, mas agora foi revelado que estas alegações tinham sido sem fundamento. 

Recentemente, um número de parlamentares do Reino Unido sob uma lei antiga, procura processar o ex-primeiro-ministro Tony Blair por ter envolvido o país na guerra do Iraque.   De acordo com os parlamentares, Blair como primeiro-ministro entre 1997 e 2007, devia cumprir com os seus deveres constitucionais quando levar o Reino Unido a uma guerra que resultou a morte de 200 soldados britânicos e como não os fez, deve responder perante os tribunais. 

Se os esforços dos parlamentares britânicos der resultado, o Blair terá de entregar voluntariamente à justiça ou poderia ser preso por agentes de segurança. Esta medida, que tem o apoio de todos os partidos pode se complicar após a recente publicação de um relatório pela comissão de inquérito Chilcot, que revela que Blair deu relatórios errôneos ao Parlamento para justificar a intervenção do Reino Unido na guerra do Iraque.  .

O atual líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, antes da divulgação do relatório de Chilcot, tinha dito que Blair tinha que ser julgado em uma corte marcial por ter envolvido o Reino Unido em uma guerra que era ilegal e causou muitas perdas humanas e materiais. Corbyn também acredita que a morte dos refugiados no mar Mediterrâneo são consequências da guerra no Iraque.  .

A senhora May-Helen Forsberg, que estava grávida de cinco meses quando o marido morreu na guerra do Iraque disse que sempre tem pensado que Tony Blair e George Bush estavam culpados pelas mortes no Iraque e acreditava que deveriam pedir desculpas a todos aqueles que perderam parentes na guerra.  

O relatório Chilcot revelou as dimensões terríveis dos crimes do Reino Unido e dos Estados Unidos na violação da soberania do Iraque. A guerra do Iraque, liderada pelos Estados Unidos e que durou mais de oito anos, começou sob o pretexto da existência de armas de destruição em massa. Nesta guerra morreram 179 soldados britânicos e mais de 4.500 norte-americanos. De acordo com estimativas morreram mais de um milhão de civis iraquianos nessa guerra, mas ninguém encontrou qualquer vestígio de tais armas no Iraque. 

Um ex-oficial do exército britânico proporcionou documentos que mostram que as forças britânicas, durante a guerra do Iraque iniciada em 2003, tinham obrigado os civis iraquianos a passar por canais e rios, e isto tinha causado afogamento de alguns deles. Ele acrescentou que os comandantes do Exército tinham conhecimento desta medida, que foi realizada rotineiramente contra cidadãos iraquianos suspeitos de saques, após a queda do ditador Saddam. Ele também enfatizou que os soldados britânicos usavam outro método de tortura que eram forçar detentos a ficar com os pés descalços no sol por horas.  

Investigações de Chilcot começaram em 2009, coincidindo com a retirada das tropas britânicas do Iraque e tem como objetivo avaliar as decisões tomadas antes e durante os anos em que as tropas britânicas estavam em território iraquiano. O relatório final da John Chilcot, líder do comitê de pesquisa, contém mais de 2,6 milhões de palavras e o custo do inquérito excedeu aos 10 milhões de libras, cerca de 11,8 milhões de euros. Foi também elaborado após consultar mais de 150 mil documentos, alguns desclassificados, e tomar depoimentos de mais de 150 testemunhas em pelo menos 130 reuniões.  

O relatório foi originalmente programado para se realizar em um ano, mas levou mais de sete anos. A principal razão para este atraso foi conflitos e disputas sobre o que deve ou não ser publicado, incluindo conversas entre Blair e o ex-presidente dos EUA, George W. Bush.   

John Chilcot, após sete anos de que um comitê independente se examinou o papel do Reino Unido na guerra do Iraque, na quarta-feira (6 de julho de 2016) apresentou os resultados dessas investigações, no centro de conferência da Rainha Elizabeth II em Londres. "Em 2003, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, Reino Unido participou na invasão de um país soberano", disse Chilcot na apresentação do seu relatório. "A ação militar não era o último recurso". "Se subestimaram as consequências e se fracassaram em atingir os objetivos enunciados", disse ele.   

De acordo com Chilcot, Blair decidiu participar da invasão do Iraque em 2003 “antes de esgotar todas as opções pacíficas” e baseadas em “inteligência defeituosa” que "se pressentiu com uma certeza que não estava justificada". Ele também disse que o Reino Unido "não esgotou todas as opções pacíficas" antes de se unir à invasão do Iraque que liderava os Estados Unidos. A pesquisa conclui que os Estados Unidos e Reino Unido minaram a autoridade do Conselho de Segurança da ONU, porque pressionaram para uma ação militar, quando a resolução alternativa sem recorrer à força não havia sido esgotada.    .

O relatório inclui detalhes dos papéis desclassificados do Gabinete, a avaliação de inteligência apontava erroneamente. O Julgamento sobre as armas de destruição em massa o enfatizou, "foram apresentados com uma certeza de que não se justificava".  

O Vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Gennady Gatilov, em comentários sobre o relatório, disse. "Nós sabíamos tudo isso há muito tempo, inclusive durante o debate sobre esta questão no Conselho de Segurança da ONU eram claras falsas ações para persuadir o Conselho de segurança sobre as armas de destruição em massa no Iraque e, apesar de tudo, o Conselho de segurança não tinha dado sua aprovação pela uma ação militar contra Saddam Hussein”. 

O relatório de Chilcot, entre outros documentos, têm difundido as 29 cartas e as notas foram trocadas entre 2001 e 2007 entre Bush e Blair, que acabaram formando uma coalizão militar, juntamente com a Espanha, para atacar o Iraque e derrubar Saddam Hussein. Alguns manuscritos pelo próprio Blair, como enviado em Dezembro de 2001, após o seu discurso na ONU, em que o premiê felicitava o Bush por seu discurso, que classificou como "brilhante" e, de acordo com Blair, "coloca-nos na estratégia certa" para a operação. O texto destaca que, dada a preocupação de dar a impressão ao público de que a invasão já estava decidida, Blair decidiu com José Maria Aznar impulsionar uma infrutífera resolução da ONU.  

"Eu estarei contigo passo a passo”, escreveu Blair a Bush em 28 de julho daquele ano, oito meses antes dos 20 de março de 2003 de ter sido começado à guerra contra o Iraque.  

A intervenção militar no Iraque e a consequente instabilidade deste país causaram a morte de pelo menos 150 mil iraquianos e provavelmente muitos mais, deste numero a maioria eram civis, causando o deslocamento de mais de um milhão de pessoas. Claramente, o que ganharam os iraquianos não era a liberdade, mas foi o sofrimento, a insegurança, a destruição de infra-estruturas económicas, etc. foram relatados também entre as próprias fileiras invasoras como entre os britânicos se registrar milhares de baixas. Mais de 200 britânicos morreram na guerra no Iraque, e muitos mais ficaram feridos. Isso causou e continua a causar a dor profunda em muitas famílias.  .

Jornalista e colunista do jornal Al-Watan, Zuhair Majid, escreve: "O Reino Unido sofre as consequências da Nakba (o Dia de catástrofe) contra os palestinos em 1948. Este país deve aceitar as consequências do derramamento de sangue da Nakba palestina no Reino. O Reino Unido enfrenta outro Nakba. Mas desta vez é um Nakba feito contra o povo iraquiano. Desde o início da ocupação do Iraque até hoje, todo o sangue derramado sobre a terra neste país é por causa dos britânicos". Majid em outra parte do seu relatório, diz. "Todos os incidentes, tais como explosões e outros atos violentos que ocorrem no Iraque, será sempre considerada como uma mancha no historial do Tony Blair. Todas as pessoas que foram privadas de ter uma vida tranquila foram por imprudência deste homem que assassinava com tranquilidade no Iraque”.    

Tony Blair somente manifestou o seu pesar por aqueles que perderam suas vidas nesta guerra. Agora cabe a perguntar, que vale a pena um pedido de desculpas de Blair? Tony Blair e George Bush invadiram o Iraque, a pedido dos sionistas? Servirá de algo condenar a Tony Blair como criminoso de guerra por ter deixado órfãs mais de 4 milhões de crianças iraquianas e deixando viúvas 4 milhões de mulheres iraquianas, muitas delas jovem? O terrorismo que atinge todo o mundo é o resultado das políticas ambíguas de Tony Blair e George Bush? Será que Tony Blair pediu desculpas por seu papel na guerra do Iraque, apenas alegando que os dados da inteligência que recebeu estavam errados, e isso por si seria suficiente? Como é possível que os britânicos ataquem, queimam e destroem um sistema político e econômico e logo apenas se bastar pedir um simples pedido de desculpas?